Segunda Feira, 12 de Novembro de 2018
::: OPINIÃO: Pena de morte no trânsito


26/09/2014
Há muito tempo se discute a institucionalização da pena de morte no Brasil. Constitucionalmente a pena de morte é permitida em caso de guerra declarada.
Terminou ontem a Semana Nacional do Trânsito com o tema: “Cidade para as pessoas. Proteção e prioridade ao pedestre”. No entanto o que se observa é o trânsito matando muito no Brasil e o que é pior, pessoas inocentes estão perdendo suas vidas para a violência do trânsito.
Os números são alarmantes. Morrem atualmente no mundo (dados da OMS) cerca de 1.300.000 pessoa/ano, deixando ainda um rastro de mais de 50 milhões de feridos, a um custo aproximado de US$ 518 bilhões/ano! Neste trágico cenário, o Brasil contribui com mais de 60.000 mortes/ano, quase 600.000 feridos, além de um verdadeiro exército de mutilados com 150.000 pessoas com lesões irreversíveis.
Em Nova Esperança, de acordo com dados obtidos junto ao Bombeiro Comunitário, através de informações repassadas pelo bombeiro Domingos Ferreira da Silva, no período de janeiro até quarta-feira, 24 de setembro foram atendidos 125 acidentes de trânsito.
No mês de junho passei quase 30 dias acompanhando um parente hospitalizado. Na rotina do hospital por 7 dias na UTI, vi dois jovens, uma moça de 18 anos e um rapaz de 22 em situações difíceis de explicar, ambos sofreram acidente de moto. Graças a Deus testemunhei a jovem saindo da UTI, indo para o quarto e caminhando nas alas do hospital. O mesmo não aconteceu com o rapaz que por todo esse período ainda permanecia hospitalizado. Já no quarto conheci o Rafael, 18 anos, sem habilitação e envolvido em um acidente grave de moto após “levar uma fechada” de uma camionete esperava liberação para realizar uma cirurgia no tornozelo e tíbia (osso da canela), enquanto aguardava com a barriga e as costas todas “raladas”, as mãos machucadas, necessitando passar óleo no corpo para hidratar e o lençol não grudar nos ferimentos. No mesmo quarto, outro homem, 33 anos, caminhoneiro, perdeu o controle na curva do seu bitrem, tombou, teve parte do braço e lado esquerdo da cabeça dilacerados e também aguardava autorização da cirurgia para reconstituição e enxerto ósseo.
Os relatos são casos reais, nada de sensacionalismo, enquanto isso, as autoridades se preocupam desviando o foco deste grave problema com os riscos do vírus Ebola chegar ao Brasil, pior epidemia que esta é o trânsito que mata sem escolher sexo, raça ou idade.
Como os jovens que vi no hospital existem milhares por todo o Brasil que confessam ter acabado com as suas vidas e a de seus pais, frutos da violência do trânsito. Outros tantos foram excluídos do convívio social, afastados do mercado de trabalho, muitos arrimos de família. A pena de morte do trânsito mata no país o equivalente a 168 pessoas/dia, sete a cada hora.
Há anos a violência no trânsito em muitos países vem sendo tratada como um problema de saúde pública, pois mata e fere mais do que muitas guerras e acidentes naturais, aumentando a perda da qualidade de vida de seus cidadãos. Aqui no Brasil, tragédias de trânsito são tratadas como algo imprevisível, desconsiderando-se que as mesmas são perfeitamente evitáveis, alimentando na nossa sociedade o cruel conceito de que motoristas saem às ruas sem intenção de matar, ou de ferir deliberadamente! Este errôneo conceito é o principal fator que alimenta a impunidade.
Não há que culpar apenas a falta de políticas públicas permanentes do governo como a educação para o trânsito, pois todos nós, eu e você somos parte do trânsito, ora como motoristas, ora como pedestres ou passageiros. É necessário envolvimento e comprometimento de todos, cidadãos, autoridades e Poder Judiciário. Pare e pense por alguns instantes. Com certeza você recordará rapidamente a falta de pessoas próximas, amigos, familiares que você perdeu vítima de um acidente de trânsito.
Diante disso, o desafio é não apenas olhar para os números assustados pela violência, mas procurar mudar a atitude para um trânsito mais seguro que valorize a vida e garanta o direito de ir e vir dos cidadãos.

“A arte de viver é simplesmente a arte de conviver ... simplesmente, disse eu? Mas como é difícil!”
Mario Quintana

Fonte: José Antônio Costa

 
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