Segunda Feira, 12 de Novembro de 2018
Você já viu seu Facebook hoje? Parte 2


26/06/2015
Na semana passada abordei sobre a maior rede da história da humanidade, o Facebook. Analisei alguns recentes estudos e pesquisas sobre o tema que apontam para pessoas mais desatentas, narcisistas, impulsivas e menos preocupadas com os sentimentos dos outros.
                O tema extenso e complexo, nos leva a reflexão de como tantas pessoas que nunca brigariam na vida real acabam brigando no “Face”. Ou ainda que suas informações são monitoradas e usadas por essa tecnologia que pergunta: No que você está pensando?
                Durante o período eleitoral é comum as discussões acirradas e acaloradas sobre política. Muitos partem para o lado pessoal, mas fora isso, basta apenas uma opinião contrária envolvendo o futebol ou qualquer outro assunto para a guerra e troca de ofensas iniciarem virtualmente.
Em 2013, pesquisadores da Universidade Benihang, na China, analisaram 70 milhões de posts do Weibo, rede social chinesa que mistura características do Twitter e do Facebook. Classificando cada post como alegre, triste ou irritado, eles concluíram que as mensagem irritadas eram as que se espalhavam na rede mais rápido, e chegam mais longe eram replicadas por pessoas em até três níveis de separação do autor (o amigo do amigo do amigo repetia o post). Na explicação do psicoterapeuta Cristiano Nabuco, do grupo de dependência tecnológica da USP, “quando a pessoa está online, há uma desinibição. Ela fica mais solta”, portanto como não estão frente a frente, as pessoas se sentem mais a vontade para trocar acusações e insultos. E no Facebook basta um clique para curtir ou replicar o que a outra pessoa disse.
                Mas, se você se sentir mal por causa do Facebook basta se desconectar ou colocar o celular no bolso, certo? Não é tão fácil assim, porque as redes sociais mexem com o núcleo accumbens, uma região que fica no meio do cérebro e regula o chamado “sistema de recompensa”. Quando comemos algo gostoso e calórico, esse sistema libera dopamina, um neurotransmissor que nos dá prazer. Curiosamente, em 2013, um estudo da Universidade Livre de Berlim descobriu que ganhar “likes” no Face ativa esse mesmo sistema. Segundo o neurocientista Dar Meshi, “a sensibilidade do núcleo accumbens leva a mudanças de comportamento no mundo real”, por isso, o Facebook é tão irresistível.
                A maior rede social do mundo tem nos usuários suas cobaias involuntárias. E junho de 2014, surgiu um artigo científico assinado por um cientista da Universidade de Cornell e por pesquisadores do Facebook, onde ele contava como o site manipulou a timeline de 689.003 pessoas, ao longo de uma semana, sem que elas soubessem. O objetivo era saber se, mexendo no conteúdo da timeline, o Facebook conseguiria alterar o humor dos usuários. A resposta foi sim. Quando o Facebook omitia posts alegres, as pessoas ficavam mais tristes e usavam mais palavras negativas em suas mensagens, e vice-versa. A conclusão do estudo é clara, as mensagens online influenciam nossas emoções e comportamentos.
                A manipulação continua até hoje sobre o que você vê em sua “timeline”, pois o Face possuía uma programação que seguia três critérios: afinidade (o quanto você interage com o autor daquele post), engajamento (número de likes, comentários e compartilhamentos que o post teve) e tempo (notícia velha não tem vez). Atualmente a empresa possui uma formula mais complexa e variável que é o segredo comercial.
                Porém o mais interessante disso tudo é que a rede sabe todos os sites que você visitou. Quando você entra num site e tem o botão de “curtir”, esse botão que é uma conveniência para o usuário se torna um mecanismo de monitoramento do Facebook, pois mesmo se a pessoa não clicar, o sistema serve para o “Face” para mostrar anúncios relacionados às coisas que a pessoa pensa em comprar. Se você procurou por um tênis, essa informação é passada para o Face que começa a exibir anúncios de tênis. Porém a rede social não é a única, o Google foi um dos pioneiros a fazer isso. Em março deste ano um relatório montado pela Comissão de Privacidade da Bélgica, concluiu que o Facebook está violando a Lei, no entanto a empresa negou. Outra forma de monitoramento utilizada pela empresa é através do aplicativo de mensagens (Messenger) que monitora a localização exata da pessoa caso não seja desabilitado no item configurações.
Diante disso, a tecnologia avança com o tempo, facilitando a tudo e a todos, no entanto também aumenta a distância entre as pessoas e nos faz escravos modernos. Até então, apenas os relógios monitoravam e mantinham a nossa vida grudada nos ponteiros, hoje toda essa tecnologia nos mantém ligado, ou melhor, conectados e ainda monitorados.
 

“Perder tempo em aprender coisas que não interessam, priva-nos de descobrir coisas interessantes”.
Carlos Drummond de Andrade (1902 – 1987)

Fonte: José Antônio Costa


 
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