Segunda Feira, 12 de Novembro de 2018
Mulheres que apanham!


09/10/2015
Essa semana estava na delegacia da Polícia Civil de Nova Esperança quando uma senhora chegou chorando muito e reclamando das ameaças do ex-marido.
                A mulher em desespero não conseguia se acalmar para explicar a situação que estava enfrentando, afinal o ex-marido que tem uma medida protetiva imposta pela Lei “Maria da Penha”, descumpria a ordem de manter a distância. Segundo ela, dias atrás, ele havia invadido a casa, riscado o carro, quebrado o guarda roupas, além das perseguições contínuas pelas ruas da cidade.
                Não quero aqui falar sobre a situação pontual em si, mas alertar para um problema corriqueiro, a quantidade de mulheres que são agredidas, violentadas quase que diariamente em seus lares e sofrem em silêncio.
                Quem sabe a famosa frase de Nelson Rodrigues – “Todas as mulheres gostam de apanhar. Só as neuróticas é que reagem”, não se adéqua ao tempo em que vivemos.
                Dados de 2012, mostravam que 20 mil mulheres (59% das 32 mil que relataram casos de violência no primeiro semestre daquele ano) eram agredidas diariamente em casa. Os números comprovados como parte de um balanço da Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, vinculada à Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República.
Em 70% dos casos, o agressor é o marido ou companheiro da vítima. E se forem considerados os demais vínculos afetivos – como ex-marido, namorado e ex-namorado – o percentual vai a 89%. 
Ainda de acordo com os números, em 66% dos casos de agressão os filhos e filhas presenciam a cena. Dos mais de 2 milhões de atendimentos registrados desde 2006, 329.256 foram enquadrados na Lei Maria da Penha.
A violência (física, psicológica, sexual, patrimonial e moral) e agressão de qualquer maneira deve ser eliminada da sociedade. Encarar a agressão às mulheres como algo normal para nossos dias é fechar os olhos para um grande problema. Não podemos perder o foco, nunca. A culpa não é de quem apanha, a culpa é de quem bate. A culpa também é de quem ouve tudo e pensa que é briguinha de marido e mulher e por isso não deve “meter a colher”. A culpa é de quem acha que casos assim não existam, e de quem acha que mulher gosta de apanhar. A culpa é de alguns homens que “encarnam” o instinto animal irracional e tentam resolver os conflitos através da violência e infelizmente algumas mulheres que não reagem pelos meios legais.
Sei também que existem casos escusos onde algumas mulheres acabam instigando a violência.
Porém, o que fica de interessante é saber que hoje as mulheres não precisam mais sofrerem caladas. Conheço um projeto chamado Quebrando o Silêncio que anualmente promove em agosto campanhas de alerta contra a violência sofrida por mulheres, crianças e idosos.
Aos “machões” que insistem em agredir as mulheres a Lei está aí para ser aplicada. Infelizmente não é um ou outro que não aceita terminar o relacionamento, e mata a mulher para se vingar, ou para ela não ser de mais ninguém. São muitos. São dez mulheres mortas por dia no Brasil.
Caso você seja mulher, e a exemplo do relatado aqui no início da coluna esteja passando por “pressão”, mesmo após a decretação da medida protetiva de afastamento, procure o Ministério Público juntamente com uma testemunha e o simples afastamento poderá se transformar em prisão para o agressor.



“Desde que o mundo é mundo humano, a mulher sempre foi discriminada, desprezada, humilhada, coisificada, objetificada, monetarizada.”

Belmiro Pedro Welter – Autor do livro: A norma da Lei Maria da Penha

Fonte: José Antônio Costa


 
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