Sexta Feira, 24 de Novembro de 2017
Desacelerando


30/06/2017
A velocidade da tecnologia tem influenciado diretamente o comportamento das pessoas. Talvez você começou a ler essas linhas porque o título chamou sua atenção. No entanto já está preocupado com o tempo, pois na gíria popular “tempo é dinheiro”.
Porém, desacelerar é preciso. As pessoas estão quase gritando isso aos quatro cantos. Até mesmo os detentores das invenções tecnológicas já perceberam essa necessidade da geração atual.
Durante essa semana li a notícia: “Super Nintendo será relançado por US$ 80 e contará com 21 jogos pré-instalados”. Se você é como eu, tem perto dos 30 anos ou pouco mais, com certeza sabe que esse era um dos consoles mais populares da década de 90. Jogos como Super Mario, Donkey Kong, Top Gear e Campeonato Brasileiro 1996 eram os meus favoritos. Quantas partidas acirradas disputamos eu com o meu Palmeiras e o grande amigo Fernando Gonçalves Gibin com o São Paulo.
Você deve estar se perguntando qual a intenção da empresa relançar um vídeo game sucesso nos anos 90 em pleno auge da tecnologia. As pessoas hoje jogam em computadores e celulares. No entanto existe um fenômeno contrário a toda essa vida agitada, um movimento de pessoas que desejam desacelerar.
Um exemplo claro disso. O slow food, ao contrário de fast food, propõe que as pessoas devem saborear e preparar o próprio alimento. Reparem a quantidade de programas de TV que nos ensinam a cozinhar. Mesmo com cada vez mais opções prontas, a audiência dos “fazedores de receitas” só aumenta.
Outro indício de que precisamos e queremos desacelerar foi o anúncio em fevereiro deste ano da Nokia que relançará o clássico modelo 3310. Juntamente com o “tijolão”, existe uma série dos chamados “dumbphones” (telefones “burros”, contrário de smartphones). Aparelhos sem internet, que servem tão somente para fazer e receber ligações, estão reconquistando seu espaço no mercado. Eles nos dão a possibilidade de colocar ali o número do trabalho e simplesmente não usar para mais nada. Há previsões de crescimento de 5000% deste tipo de telefone no mercado este ano (Counterpoint Research).
Esses são apenas alguns indícios dessa vontade de “voltar no tempo”. O que não significa abrir mão da tecnologia e das facilidades da vida moderna, mas usá-las a nosso serviço, para que tenhamos mais tempo livre, e não cada vez menos. Agradar, dar resultado, ser ocupado parecem ser os novos valores dos homens e mulheres bem sucedidos.
Bobeira! Ser bem sucedido é conseguir controlar seu próprio tempo. Se despir de falsas culpas e abraçar prioridades verdadeiras. E não digo isso em tom de ensinamento, de jeito nenhum. Sou assumidamente um desses caras sem tempo, que não vive sem smartphone. Mas reconheço que a tecnologia nos trouxe tanta informação e tantas facilidades que acabamos nos tornando dependentes e servos de tudo isso. Se há mais de 500 anos os homens se aventuravam na justificativa que navegar é preciso, a missão hoje é outra: desacelerar é preciso.
 
 “Que proveito tem o homem, de todo o seu trabalho, que faz debaixo do sol? Uma geração vai, e outra geração vem; mas a terra para sempre permanece”.
Eclesiastes 1:3,4 – Bíblia Sagrada

Fonte: José Antônio Costa

 
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