Sexta Feira, 24 de Novembro de 2017
“Povo heroico o brado retumbante”


11/09/2017
Desde criança aprendemos a importância da Independência do Brasil. Pela Lei Federal 662/1949, no dia 7 de setembro de cada ano é feriado nacional alusivo ao Dia da Pátria. Ontem, Nova Esperança homenageou a data com desfile cívico na Avenida 14 de Dezembro.
Lembro-me da pré-escola quando na semana da pátria ganhávamos bandeirinhas do Brasil e fitinhas verde e amarela para amarrar nas antenas do carro. Chegava em casa e fazia questão que meu pai colocasse no Fiat 147, verde abacate a fitinha do Brasil.
Quando nos tornamos adultos a data ganha uma nova roupagem. Pensamos no feriado para descansar, passear, aproveitar a família, sem a hipocrisia de afirmar que pensamos em civismo no dia que marca o desligamento do Brasil de Portugal.
Todo o contexto histórico precisa ser relembrado.  A metrópole (Portugal) percebia que estava perdendo, aos poucos, o controle político do Brasil. A corte portuguesa demonstrava forte interesse em recolonizar o País, eliminando focos de resistência, porém a presença de Dom Pedro no país atrapalhava estes interesses portugueses. O príncipe regente também sofria pressões da elite brasileira que estava ávida pela independência do Brasil.
A narrativa de alguns livros relata que na tarde do dia 7 de setembro de 1822, Dom Pedro estava em São Paulo, nas proximidades do riacho do Ipiranga, após retornar de uma viagem a Santos. Neste local, o príncipe regente recebeu uma carta de um mensageiro. Nesta carta, a corte portuguesa exigia obediência às ordens portuguesas e seu retorno imediato a Portugal. Foi neste momento que Dom Pedro proclamou a Independência do Brasil, com o famoso grito: “Independência ou Morte!”. O fato histórico ficou conhecido nacionalmente como “O Grito do Ipiranga”.
A data e o fato do “grito” são até hoje questionados por estudiosos de História do Brasil. Como em muitos casos, a tradição aliada à parte bela e folclórica prevalece aos fatos.
Passados 195 anos, o brasileiro ainda tenta gritar sua independência. São altos impostos, economia estagnada, apatia geral no comércio e escândalos e mais escândalos de corrupção. Malas e até caixas de dinheiro que o diga o Geddel Vieira Lima.
Chama atenção que desde o início da história, a política e a pressão impedem o crescimento do Brasil. Há quase dois séculos era preciso gritar a independência, pois Portugal explorava o Brasil.
Nosso país é enorme e muito rico, mas está sendo desconstruindo a cada ano, com escândalos que não são novos, apenas vão se sucedendo.
O “brado retumbante” é o grito do brasileiro hoje pela independência de políticos desonestos que enriquecem à custa da população que os escolheu como representantes.
O reflexo desta corrupção sem precedente e generalizada pelo país é sentido aqui no interior. A falta de pessoas nas ruas, no comércio, comprando, produzindo, gerando empregos e renda, tem como consequência final o desemprego.
Diante disso, não restam dúvidas que, no dia em que se celebra a independência oficial do Brasil é preciso que o povo heroico das letras do hino nacional grite pela falta investimento em educação (uma das piores do mundo), pela saúde (caótica, para quem depende do sistema público), pela segurança pública (um dos países mais violentos do mundo), e assim tornar real o “sonho intenso” deste país que é “gigante pela própria natureza”.
 

"Entre outras mil.

És tu, Brasil

Ó pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil
Pátria amada
Brasil! "

 

Joaquim Osório Duque Estrada (1870 – 1927), poeta, crítico literário, professor, autor do Hino Nacional Brasileiro

Fonte: José Antônio Costa


 
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