Segunda Feira, 12 de Novembro de 2018
::: Você anda de bicicleta?


14/10/2013
A pergunta talvez chama a atenção: você anda de bicicleta? Eu já andei muito de bicicleta. Lembro dos tempos em que fazia cobranças no jornal. De 1998 à 2005 meu principal meio de transporte era a “magrela”. O tempo passou, hoje não ando mais tanto de bicicleta, mas sempre gostei de usá-la como opção de lazer.
No domingo, 06 de outubro o Jornal Noroeste promoveu em parceria com a Dias Bike e apoio de várias empresas um passeio ciclístico. O evento sem fins lucrativos levou centenas de pessoas a optarem pelo pedal.
Ao ver inúmeras famílias pedalando juntos, pessoas de todas idades com suas bicicletas, algumas mais novas, sofisticadas, modernas, outras nem tanto, percebi que o objetivo principal foi atingido. Todos os que ali estavam desejavam um momento para pedalar, fazer novas amizades, exercitar o corpo e a mente, algo que não conseguimos fazer na correria do dia a dia. O envolvimento das famílias na minha opinião foi o ápice do passeio ciclístico.
E por falar em bicicletas, no mês passado o site UOL publicou uma notícia interessante: “Venda de bicicletas supera a de carros na Itália”. Depois de 48 anos, o comércio de bicicletas superou o de veículos. E o que é mais interessante: doze anos atrás, cerca de 2,9% da população usava esse tipo de transporte; hoje, os ciclistas representam cerca de 9%. E sabe o que chama a atenção, não é por economia, falta de dinheiro ou ainda o empobrecimento da população, mas sim conscientização sobre a importância deste veículo de propulsão humana.
Em Nova Esperança é fácil encontrar pessoas reclamando da falta de estacionamentos na região central. Quem sabe a bicicleta poderia solucionar esse problema. Além de melhorar o condicionamento físico, a “bike” garante autonomia, agilidade, custo reduzido e ajuda no controle ambiental.
Porém, quanto ao uso da bicicleta alguns desafios começam a surgir, isso não apenas em nossa cidade mas em todo país. O primeiro deles é a visão distorcida. Muita gente acha que bicicleta é “coisa de pobre”. Chega a ser preconceituoso, inclusive com as pessoas de menor renda ou ainda a famosa frase: Você viu o fulano (a)? Tá indo trabalhar de bicicleta, deve estar quebrado?
Também é preciso rever as prioridades no trânsito. Hoje, o privilégio é para o carro. Não há segurança para quem pedala, ciclovias então, algo raro de ser ver!
Passado o meu tempo de cobrador onde andar de bicicleta era uma obrigação e porque não dizer um verdadeiro martírio, hoje, vejo a “magrela” não necessariamente para o lazer ou como opção de atividade física, mas simuma alternativa de transporte limpo.
E apenas a título de informação, no ano passado, o governo francês, baseado num modelo já existente na Bélgica começou a pagar para quem andasse de bicicleta. Na Bélgica, as empresas pagam €0,21 cêntimos por quilometro aos seus funcionários, para irem para o trabalho de bicicleta. Na época o governo francês estimava um orçamento em cerca de €20 milhões contando com os 2 milhões de cidadãos que usavam, regularmente, a bicicleta para irem trabalhar.
O governo francês implementou outras medidas. Modificou as normas de circulação permitindo que os ciclistas avançassem o semáforo vermelho quando ao virarem à direita; marcando as bicicletas com um código para combater os roubos (é primeiro mundo, mas também existe roubo) e construindo mais ciclovias. Com essas medidas, a França passou a economizar até €5,6 mil milhões com encargos com a saúde das pessoas, além de reduzir os gases poluentes.
É certo que falei de países de primeiro mundo, os chamados desenvolvidos. Se você ir a fundo verá que a Holanda é a capital mundial da bicicleta, e que Áustria, Suíça, Reino Unido, Hungria, Itália, Eslováquia e aqui nas américas, Estados Unidos e Colômbia tem aumentado e muito o número de adeptos do pedal. É impossível falar de “magrela” sem lembrar da China que possui uma infraestrutura muito boa para suportar os milhões de ciclistas que mesmo com o progresso do país, continuam pedalando.
A pequena diferença é que em países como Estados Unidos e Colômbia a carga de impostos sobre a bicicleta é zero, aqui no Brasil ela equivale a 40% do valor final do produto.
Fico na expectativa para que o Brasil, em breve, faça parte da lista de países acima citados onde todo motorista é também um ciclista! Lanço um desafio ao qual eu faço parte. Você não precisa ir todos os dias trabalhar de bicicleta mas vamos começar indo apenas um dia da semana para percebermos a diferença em qualidade de vida!


Fonte: José Antônio Costa

 
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