Terça Feira, 12 de Dezembro de 2017
500 anos da Reforma Protestante


06/10/2017

Em virtude da comemoração dos 500 anos da Reforma Protestante, estaremos divulgando uma série de quatro artigos com o objetivo de sintetizar nesses textos quais e quem foram os precursores da reforma, o movimento em si, seus principais expoentes e seus ideais, a contra reforma e as implicações disso tudo para a igreja moderna. 

Os precursores da Reforma

A Reforma Protestante de modo algum foi um evento isolado, ou seja, ela estava inserida em um contexto e como tal teve seus predecessores. Vamos entender esse contexto

O final da Idade Média foi marcado por muitas convulsões políticas, sociais e religiosas. No que diz respeito à política, destacamos a Guerra dos Cem Anos (1337-1453), entre a Inglaterra e a França, na qual se tornou famosa a heroína Joana D’Arc. Houve também muitas revoltas camponesas, o declínio do feudalismo, a expansão das cidades e o surgimento do capitalismo. No aspecto social havia fomes periódicas e o terrível flagelo da peste bubônica ou peste negra (1348). O sentimento dominante era de insegurança, ansiedade, melancolia e pessimismo.

Na área religiosa a situação não era diferente, o clero estava corrompido, a religiosidade era meritória, com missas pelos mortos e crença no purgatório. Ao mesmo tempo, havia grande ressentimento contra a igreja por causa dos abusos praticados e do desvio dos seus propósitos. Essa degradação foi fruto da volta de um movimento que esteve presente no inicio da Idade Média, o misticismo.

Para melhor entendermos esse aspecto, precisamos mencionar outro movimento chamado escolasticismo.  O escolasticismo foi um período da Idade Média onde os pensadores cristãos procuraram provar a existência de Deus bem como as verdades do cristianismo por meio de processos racionais e filosóficos. Definir com precisão o que foi o escolasticismo não é uma tarefa fácil, mas em suma, podemos defini-lo como a tentativa de racionalizar a teologia para que se sustente a fé com a razão.

Apesar da importância e da vasta produção intelectual em defesa da fé produzida nesse período, o escolasticismo gerou certo desconforto em parte da comunidade cristã. O excesso de formalismo e a busca de respostas racionais para os mistérios da fé trouxeram para a igreja do século XIII certa “frieza”.  O resultado disso foi à volta do misticismo. Isso mostra que em momentos em que a Igreja descamba para o formalismo, o desejo do coração humano de entrar em contato direto com Deus fala mais alto. O místico deseja um contato direto com Deus pela intuição imediata ou pela contemplação.

A Europa do século XIV estava tomada por esse movimento místico que decorreu de uma reação ao ritual sacerdotal formal e mecânico e ao escolasticismo árido da Igreja. A busca por uma experiência capaz de romper as barreiras impostas pelo excesso de formalismo não apresenta nenhum problema, mas o perigo desse tipo de empreitada reside no seu extremo. Se de um lado o formalismo exacerbado tornou a experiência religiosa mecânica e fria, o misticismo levou o catolicismo do século XIV à substituição da Bíblia pela autoridade interior subjetiva e a minimização da doutrina. Esses foram fatores que colaboraram para a corrupção do clero presente nos dias de Lutero.

É nesse contexto que surge três personagens que foram importantes predecessores dos reformadores do século VXI. Eles são Wycliffe, Huss e Savonarola.

João Wycliffe (1328-1384) foi um teólogo inglês que frequentemente é chamado de “a Estrela d’ Alva da Reforma”. Wycliffe desejava reformar a Igreja Romana através da eliminação dos clérigos imorais. A partir de 1379 Wycliffe começou a se opor diretamente contra a autoridade do papa dizendo que a Bíblia era a única autoridade para o crente e não o papa, e que a Igreja Romana deveria se moldar ao padrão da Igreja do Novo Testamento. Para apoiar suas ideias, Wycliffe em 1382 traduziu o Novo Testamento para o seu idioma e o entregou ao povo. O fato de dar aos ingleses a Bíblia no vernáculo foi um dos seus maiores feitos e influenciou a preparação do caminho para a reforma que ocorreria mais tarde na Inglaterra.

João Huss (1373-1415) foi um sacerdote, nascido na aldeia de Husinec, no sul da Boêmia, Huss foi fortemente influenciado por Wycliffe. Huss se propôs a reformar a Igreja Romana na Boêmia de modo semelhante à linha das ideias defendidas por Wycliffe na Inglaterra. As ideias de Huss foram condenadas pela Igreja, ele recebeu um ultimato para comparecer no Concílio de Constança para se retratar, mas como ele não negou seus ideais acabou sendo sentenciado à fogueira. Huss foi morto pelo fogo, mas seus ideais não, esses também foram lançados ao fogo, o fogo dos corações daqueles que seguiram seus ensinamentos e que rejeitaram tudo aquilo que a Igreja pregava que não constava na Bíblia. Os ensinos e o exemplo de Huss foram uma inspiração para Lutero.

Girolamo Savonarola (1452-1498) foi um monge dominicano da Itália.  Enquanto Wicliffe e Huss foram estigmatizados como hereges por colocarem a Bíblia como o primeiro padrão de autoridade, Savonarola estava mais preocupado em reformar a Igreja em Florença. Ele tentou reformar o Estado e a Igreja na cidade, mas sua pregação de condenação ao modo de vida do papa acabou provocando sua morte por enforcamento.

Diante disso vemos que a reforma surgiu diante de um contexto de muitas transformações sociais, políticas e religiosas. Tudo isso gerou no coração de homens como Wycliffe, Huss e Savonarola uma profunda necessidade de transformar o meio que viviam, e eles acreditaram que isso seria possível por meio do ensino das Sagradas Escrituras.

Foi nesse contexto que os primeiros reformadores estavam inseridos, mas para sabermos que foram eles e quais suas principais idéias, fique ligado na próxima edição do Jornal Noroeste, pois estaremos dando continuidade a história da Reforma Protestante.

Até a próxima!

Fonte: Alison Henrique Moretti- Teólogo, acadêmico do curso de Filosofia pela UNIPAR.


 
Veja Mais:

  • 08/12/2017 - Em Foco
  • 08/12/2017 - Prefeitura Esclarece (A FANP/UNIESP VAI FECHAR?)
  • 08/12/2017 - Semana do Combate à Corrupção
  • 08/12/2017 - Pingos e Respingos
  • 04/12/2017 - TOC - transtorno obsessivo compulsivo
  • 04/12/2017 - Prefeitura Esclarece (Limpeza urbana é responsabilidade de todos!)
  • 04/12/2017 - Pingos e Respingos
  • 04/12/2017 - A Sombra da Morte de William Holman Hunt
  • 01/12/2017 - O controle social está em pauta
  • 24/11/2017 - Pingos e Respingos
  • 24/11/2017 - Prefeitura Esclarece (Expo Caminhos da Seda)
  • 24/11/2017 - LICITAÇÕES PÚBLICAS PODEM AJUDAR A FOMENTAR NOSSA ECONOMIA
  • 17/11/2017 - Prefeitura Esclarece (CMEI Comecinho de Vida / Matrículas Rede Municipal)
  • 17/11/2017 - O Evangelho Quadrangular
  • 17/11/2017 - Guarda compartilhada é negada em caso de desentendimento dos pais, confirma STJ
  • 17/11/2017 - Pingos e Respingos
  • 17/11/2017 - Em Foco
  • 10/11/2017 - É importante investir nos amigos!
  • 10/11/2017 - Como ser um Observador
  • 10/11/2017 - Prefeitura Esclarece: Cemitério Municipal - recadastramento e projetos futuros
  • 10/11/2017 - O Direito Administrativo e a Ética na Administração Pública
  • 10/11/2017 - Jesus, o Pastor Divino
  • 10/11/2017 - Gravidez precoce
  • 10/11/2017 - Pingos e Respingos
  • 03/11/2017 - A natureza dita as regras na Suíça
  • 03/11/2017 - O justo viverá por Fé
  • 03/11/2017 - O Papel do Observatório Social
  • 03/11/2017 - Prefeitura Esclarece
  • 03/11/2017 - A Regra dos 20 Segundos
  • 03/11/2017 - Pingos e Respingos
  •  
    © Jornal Noroeste - Escrevendo a história de Nova Esperança e região desde 1985
    Rua Governador Bento Munhoz da Rocha Neto, 354 - Sala 101 - Nova Esperança, PR - CEP 87600-000 - Fone 044 3252 3908
    Desenvolvido por Hnet Websites