Sábado, 23 de Junho de 2018
O preço do nosso comodismo


16/02/2018

Independentemente do partido político que simpatizamos, ou se nos definimos como sendo de direita, esquerda ou centro, o fato é que nós, pacatos cidadãos brasileiros, nos acomodamos e nos acostumamos a ver nossa vida civil se deteriorar. 

As concertinas nos muros das nossas casas, cada vez mais altos, parece não nos chocar e passou a fazer parte da nossa arquitetura. Outrora no Brasil os muros eram baixos e para montar uma casa, nos preocupávamos apenas com os móveis, eletrodomésticos, enxoval e decoração. Porém, agora, é requisito fundamental as câmeras, os alarmes, o cachorro e outros itens de segurança, que passaram a ser gênero de primeira necessidade. 

 As cidades pequenas já não são mais refúgio de segurança e tranquilidade, pois bancos estão sendo explodidos a todo o tempo e assaltos à mão armada nas residências se tornou coisa comum. Ouvimos corriqueiramente que em determinadas ruas da nossa cidade e de cidades vizinhas “nem polícia entra” e também notícias sobre o Crime Organizado e sobre facções que dominam presídios, cidades e até expandiram seus negócios pelos países vizinhos. Gangues de traficantes que entram em guerra disputando o domínio de uma determinada área e tornando toda a população do local, muitas vezes milhares de pessoas, reféns, sem poderem abrir seu comércio, trabalhar, estudar, etc. 

O estado lastimável das nossas rodovias e a imprudência dos motoristas, estão ceifando milhares de vidas e de acordo com a Folha de São Paulo, todos os anos morrem cerca de 40 mil pessoas e outras 400 mil pessoas ficam gravemente feridas, em decorrência de acidentes de trânsito, o que gera sofrimento às famílias e um custo ao país de mais de R$56 bilhões, segundo dados do Observatório Nacional de Segurança Viária. E mesmo assim, pessoas de bem dirigem embriagadas, ou falando ao celular ou mandando mensagens, ou em alta velocidade, ou tudo junto, sem nem ao menos pensar na trágica consequência que pode desencadear. 

Com a maior transparência no poder público, mas ainda muito tímida, já começamos a enxergar as discrepâncias existentes entre os trabalhadores do setor privado e do setor público, existindo em diversos setores servidores que recebem, para trabalhos similares, salário muito maiores que os da iniciativa privada, outros recebem muito acima do teto constitucional, mas sempre encontram uma justificativa para isso. Produtividade, mérito, comprometimento com resultados, metas, para muitos se tornaram palavrões. 

Nem se diga os privilégios garantidos aos políticos, com plano de saúde vitalício e ilimitado, aposentadoria com oito anos de serviços, ex presidentes mantendo um staff como se presidente ainda fossem, verbas de gabinete para os deputados e senadores se perpetuem no poder, pagando seus cabos eleitorais chamados de assessores, carros oficiais, auxílio terno, auxílio moradia, passagens aéreas, etc. 

Muitos dos nossos jovens estão chegando ao ensino médio sem conseguirem interpretar um texto ou fazer contas básicas de matemática e sem qualquer apreço à falar um português correto. Nossa língua portuguesa já não tem mais valor, sendo corriqueiro escutar os jovens falando “nóis vai... nóis feiz... dez real” e ainda é considerado politicamente incorreto corrigir quem fala errado. 

Nossas crianças e jovens estão sendo expostos a todo tipo de obscenidades, chamadas de “cultura” e se tornou o assunto do momento discutir homofobia, quando tínhamos ensinar respeito. 

O desemprego continua alto, sendo mais de 12 milhões de cidadãos brasileiros desempregados e as filas nos hospitais e as listas de consultas especializadas continuam compridas. 

Será que é correto nos acostumar com essa triste realidade que vivemos? 

Será que não é um preço alto demais para pagar pelo nosso comodismo? 

A corrupção, que é a maior vilã de todo esse caos, está sendo combatida, mas nada adiantará se continuarmos a votar em corruptos. Ou seja, votando em candidatos envolvidos em corrupção, teremos sempre o mesmo do mesmo. Por isso devemos acompanhar com mais atenção os noticiários e buscar conhecer os candidatos que pedem nosso voto. Pode parecer trabalhoso, mas é necessário.

Fonte: Angela Contin Jordão


 
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