Segunda Feira, 12 de Novembro de 2018
Sétima Arte: A Bruxa


04/03/2016
Uma semana após o Oscar 2016 só no resta a sensação de alívio pelo Oscar de Melhor Ator ter sido conferido ao talentoso Leonardo DiCaprio. Quem assistiu à cerimônia desse ano percebeu que ela estava mais dinâmica, menos demorada e, porque não, mais interessante. Os discursos de agradecimento foram concisos, sem o constrangimento da música tocando enquanto o premiado ainda fala, os números musicais foram poucos e discretos, talvez a única coisa que destoou foi o constante discurso apologético do apresentador da noite, o comediante Chris Rock. Como sabemos o Oscar 2016 passou por uma série de protestos e, até mesmo, pelo boicote de alguns nomes importantes, como o cineasta Spike Lee, pelo fato de não ter nenhum representante negro indicado em suas principais categorias. Convém dizer que, em tempos atuais, isso foi no mínimo uma gafe para uma instituição que se diz aberta ao novo e que está na vanguarda da modernidade, mas fazer disso o tema central e constante das piadas da noite não foi de bom tom.
Tirando o excesso de Chris Rock o que sobrou foi uma cerimônia equilibrada onde a Academia mandou muito bem seu recado, estamos dispostos a premiar o talento e a qualidade e não a pressão externa do público (até porque, para isso existe o People’s Choice Awards que abre votações online para que o público faça suas escolhas) e não deu o Oscar que alguns tanto esperavam, como foi o caso de Stallone, que era o preferido do grande público e que perdeu o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante para Mark Rylance pelo filme Ponte dos Espiões.
Tirando o fato de que Mad Max – Estrada da Fúria abocanhou quase todos os Oscars Técnicos da noite (faz tempo que não me lembro disso, talvez a última vez tenha sido com Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei), o que mais chamou a atenção foi a Academia ter premiado como melhor filme Spotlight e não O Regresso, que levou o Oscar de Melhor Diretor. Confesso que acho muito estranho isso, pois na minha cabeça o melhor diretor sempre deveria levar também o Oscar de Melhor filme, pois isso é quase uma questão lógica, mas a lógica não tem vez no mundo de Hollywood, bem por isso, a premiação de Spotlight não deve ser vista como injusta, porque o filme é muito bom.
Depois de tanta euforia por conta do Oscar, vamos falar da estréia da semana, que é um prato cheio para quem gosta de filme de terror e nesse caso terror com muita qualidade. Há alguns dias fomos contemplados com a estréia do ótimo Boneco do Mal (que apesar do nome sem noção, é um filme que traz boas surpresas) e ontem chegou aos nossos cinemas o aguardado A Bruxa, um filme que mal estreou e já está dando o que falar, tanto que recebeu elogios rasgados de ninguém menos do que Stephen King, um grande e famoso autor de histórias de Terror.
O que chama atenção em A Bruxa é o ar de novidade, porque o roteiro e a direção estão nas mãos do estreante Robert Eggers, que fez um bom trabalho, sem se prender aos vícios comuns no cinema de terror de Hollywood. Produziu um filme tenso que tem por base principal mais o terror psicológico e menos os truques e as ferramentas modernas de computação gráfica, o que colabora, e muito, para a originalidade da película e para colocar o expectador num clima de medo e atenção constantes.
A história de A Bruxa se passa na Nova Inglaterra, durante a década de 1630, quando um casal, William e Katherine, buscam viver suas vidas de forma cristã, juntamente com suas cinco crianças, numa comunidade extremamente religiosa. O problema é que a família será expulsa do local por sua fé diferente daquela permitida pelas autoridades (neste contexto histórico qualquer desvio de conduta em relação à fé pode se visto como uma ameaça ao funcionamento social da comunidade). Com isso, a família se vê obrigada a morar num local isolado, à beira do bosque, sofrendo com a escassez de comida. Certo dia, o bebê recém-nascido desaparece. E as suposições surgem: teria ele sido devorado por algum animal ou seqüestrado por uma bruxa? É durante as buscas deste membro da família que o filme apresenta cada um dos outros membros com seus medos e defeitos.
Em termos técnicos o filme é incrível, o trabalho de fotografia foi muito bem feito, a iluminação tanto em cenas externas como internas submete a um clima de medo e paranóia, isso porque foi filmado com luz natural ou à luz de velas, nesse sentido, as cenas internas são belíssimas remetendo um expectador mais atento à impressão de estar vendo no filme uma tela de Rembrandt ou Caravaggio (mestres da pintura Barroca).
Sem dúvidas esse é um filme que vai causar boa impressão tanto aos fãs de terror quanto aos que não são tão adeptos desse gênero, porque o filme, além de ser uma novidade (tanto que tem gente comparando com A Bruxa de Blair em termos de inovação) e de estar a salvo dos clichês de Hollywood para o gênero, traz um ritmo bom e seu roteiro é melhor ainda. Esse é aquele tipo de filme que é muito difícil assistir e mesmo assim ficar indiferente. Boa sessão!

Fonte: Odailson Volpe

 
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