Segunda Feira, 12 de Novembro de 2018
Sétima Arte - Borg Vs McEnroe


10/11/2017

Às vésperas da estreia do esperado Liga da Justiça, que ocorre na semana que vem, temos uma semana tímida no cinema, com apenas uma produção louvável, Borg Vs McEnroe, e você fica por dentro de tudo que é relevante saber sobre esse filme hoje, na Coluna Sétima Arte.

Sem dúvida alguma, os anos de 1980 estão na moda! Essa afirmação se deve ao fato de que muitas produções lançadas recentemente se passam nesse período, conferindo glamour e nostalgia a essas tramas que estão conquistando o público.

Pegando carona nessa onda nostálgica, o diretor dinamarquês Janus Metz levou ao cinema uma história de rivalidade famosa no início dos anos de 1980, que se passa no Torneio de Wimbledon. Interessante perceber com esse filme o avanço na carreira de Metz, pois ele não é um diretor de renome, nem tem uma grande filmografia para exibir, mas sua obra de maior sucesso é justamente um documentário que, da mesma forma que o longa que se apresenta, também tem por base uma história real. Premiado ao redor do mundo com seu Armadillo, de 2010, documentário sobre os soldados dinamarqueses na Guerra do Afeganistão, ele conquistou muito prestígio, mas depois disso ele dirigiu apenas episódios de seriados, alguns relevantes, como True Detective, mas nada, além disso.

Agora ele volta à cena trazendo um filme/biografia de duas lendas do Tênis no melhor estilo Rush – No Limite da Emoção (outro duelo esportivo, que arrebatou a muitos por conta da relação explosiva e          com ares de guerra, protagonizado por Niki Lauda e James Hunt na Fórmula 1 nos anos de 1970). A diferença entre o filme de Metz e Rush – No Limite da Emoção está justamente na direção, afinal, Janus Metz está longe de ser um Ron Roward, bem por isso, não se pode esperar o mesmo resultado de Borg Vs McEnroe.

Digo isso porque o filme caminha por uma trilha complicada ao longo da história do cinema, a dos filme/biografia. Hollywood gosta de exaltar seus heróis de histórias verídicas e exagerar suas trajetórias de vida. Metz, por não ser um diretor tão hollywoodiano tinha tudo para fazer desse filme uma obra prima, mas peca ao reproduzir os mesmos erros de muitos outros diretores, idealizando demasiadamente os protagonistas de sua história.

No aspecto técnico o filme tem muita qualidade, a edição é bem feita, as cenas apresentam uma plasticidade exemplar e seu trabalho de fotografia reproduz na tela os anos 1980 de forma bastante plausível, sem exageros, sem sensacionalismo, puro. Mas o roteiro, infelizmente, é o “calcanhar de Aquiles” dessa produção. Já percebeu que ultimamente o roteiro sempre tem sido o problema de boa parte das produções cinematográficas? Tanto produções industriais, como as de Hollywood, como as produções independentes ou europeias tem apresentado uma baixa qualidade no roteiro. Será que estamos passando por uma onda de bloqueio criativo entre esses profissionais? Enfim, uma resposta para isso virá apenas com tempo.

Voltando ao roteiro de Borg Vs McEnroe, tudo o que não se pode fazer o roteiro faz: frases de efeito, diálogos com caráter de autoajuda, exagero e romantismo na retratação da vida dos tenistas, um quase endeusamento das figuras centrais. Lamentável, tão pouco plausível que beira o inverossímil. Isso fica muito evidente quando se percebe a tentativa de gerar grandiosidade a partir de uma cena banal, cotidiana, corriqueira, desperdiça-se a oportunidade de utilizar o clássico jargão “menos é mais”!

Fora isso, o filme é satisfatório, pois a interpretação da dupla de atores centrais praticamente salva o filme.  O roteiro ruim poderia levá-los a atuações caricaturadas de seus personagens, mas, pelo contrário, eles tentam salvá-los desse destino a cada fala. Ponto positivo para o ator Sverrir Gunadson, que de longe é a grande surpresa do longa, mas o polêmico Shia LeBeouf não fica para trás, pois ao representar McEnroe, está fazendo o papel de alguém que é muito parecido com ele na vida real, explosivo, temperamental e de comportamento duvidoso, o papel se encaixou como uma luva para LeBeouf.

Vamos à trama! Tudo se passa durante a preparação dos tenistas Björn Borg (Sverrir Gudnason) e John McEnroe (Shia LaBeouf) para a final de Wimbledon, em 1980. O primeiro, de origem sueca, tido como técnico e calculista, sofre a pressão de defender o título do torneio pela quinta vez consecutiva, algo inédito até então, o outro, norte-americano, vai ter que superar o próprio temperamento explosivo para mostrar que é capaz de alcançar o patamar mais alto do mundo no esporte.

Por que ver esse filme? Porque mesmo diante dos problemas de direção e roteiro, a obra final agrada e faz isso principalmente porque consegue gerar um clima de tensão e suspense em torno da final do Torneio de Wimbledon e das decisões particulares de cada protagonista. Com um trabalho técnico excelente, o longa apresenta um visual que vale a pena ser conferido e embates esportivos bastante empolgantes. Só isso já vale a entrada do cinema. Boa sessão!

Fonte: Odailson Volpe


 
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