Segunda Feira, 12 de Novembro de 2018
Sétima Arte: Um Lugar Silencioso


13/04/2018

O filme Um Lugar Silencioso, que estreou na semana passada vem despontando no atual cenário cinematográfico como uma agradável surpresa.
Infelizmente vem sendo exibido em nossa região em poucas e pequenas salas para a grandiosidade de um filme tão bom. Esta semana a Coluna Sétima Arte mergulha fundo no drama e no terror que esse filme apresenta, trazendo para você tudo o que é relevante sobre esse longa.

O primeiro grande atrativo de Um Lugar Silencioso é a dificuldade que o expectador vai sentir ao tentar classificá-lo em seu gênero. Isso porque o filme, vendido pelo estúdio como Suspense/Terror tem um alto grau de dramaticidade, fazendo com que ele tenha uma tendência forte ao “cinema de arte”, sem desamparar aqueles que adoram um filme comercial. Esse equilíbrio entre aspectos tão diferentes é creditado à direção e ao roteiro, ambos cuidadosamente realizados por John Krasinski, que também atua no filme (isso que é versatilidade!).

John Krasinski se tornou conhecido do público em geral por fazer parte da aclamada série americana The Office, uma série de comédia, bem distante da realidade apresentada por ele no filme em questão. Krasinski assina o roteiro junto com a jovem e promissora dupla de roteiristas Bryan Woods e Scott Beck, que constroem uma história que faz o expectador se segurar na cadeira a cada minuto. Enxuto e sem demoradas explicações o expectador vai ao longo dos noventa minutos de filme desvendando e se acostumando com a realidade pós-apocalíptica que se apresenta.

Nesse ponto vale a pena tirar o chapéu para o diretor, pois fez um trabalho belíssimo buscando recursos que pudessem substituir de forma eficaz a falta de diálogo apresentada. Durante a primeira metade do filme a interação entre os atores acontece apenas por meio da linguagem de sinais, de olhares e expressões, mas isso não empobrece a obra, pelo contrário, pois somado a outros recursos, como o som do vento, da cachoeira ou mesmo as batidas do coração em um estetoscópio, acaba enriquecendo a narrativa, ao mesmo tempo em que estampa na tela um profundo drama familiar composto pela culpa, pelo medo e pela insegurança.

Você que adora filmes de terror, não se iluda pelos comentários acima, pois se o filme apresenta todos esses elementos que flertam com o “cinema arte”, não deixa de lado em nenhum momento o recurso mais comum dos filmes de terror, o susto. Cuidadosamente distribuídos de forma a cooperar com a compreensão do público, os sustos se tornam um elemento bastante didático, fazendo com que o expectador agarre os braços da cadeira e prenda a respiração várias vezes.

Além disso, boa parte do sucesso do filme se deve ao espetacular elenco angariado pela esposa do diretor Krasinski, a bela e talentosa Emily Blunt, que não apenas estrela o filme ao lado do marido, como também contracena com a talentosa atriz Millicent Simmonds, que é deficiente auditiva e já havia brilhado no filme Sem Fôlego (um drama incrível, pouco conhecido e divulgado no Brasil) e com Noah Jupe, que surpreendeu a todos com sua atuação no recente Extraordinário, onde faz o papel do melhor amigo de Auggie. A interpretação de cada um garante ao filme tensão, dramaticidade e intensidade que geram uma empatia ímpar entre o público e a situação desesperadora vivenciada pela família.

Vamos à trama! A história começa num mercado abandonado de uma cidade pequena, onde, na volta pra casa, a família acaba vivenciando uma situação extremamente traumática. Após isso, tudo se desenvolve em uma fazenda, nela, em meio ao milharal (não dá pra não relacionar esse fato ao incrível filme Sinais, do diretor M. Night Shyamalan), essa família do meio-oeste americano é perseguida por uma entidade, supostamente alienígena, assustadora e completamente cega. Para compensar a cegueira, esse ser tem uma audição extremamente aguçada, o que faz com que o mínimo ruído se torne um perigo letal para as personagens do filme, as quais, para se protegerem, devem permanecer em silêncio absoluto, o que coopera e muito para a tensão ao longo da trama.

Por que ver esse filme? Porque John Krasinski dá uma aula de direção, num filme que se dá ao luxo de não ter excessos de informação, com um contexto simples, claro e direto, apostando no silêncio como um recurso primordial e na trilha sonora como uma aliada para gerar clímax. Depois de uma primeira parte sólida e austera ele apresenta um segundo ato cheio de momentos críticos que fazem com que o expectador engula o grito e sofra junto com a agonia dos personagens. Sem dúvidas, um filme aterrorizante, mas também triunfante, com um final que surpreende na medida certa. Bom filme! 

Fonte: Odailson Volpe de Abreu


 
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