Terça Feira, 23 de Outubro de 2018
::: Brasil: Um país que falta Educação, Moral e Civismo


12/09/2014
Recordo-me que quando criança, caso fizesse algo errado, minha mãe sempre dizia: “Que coisa feia”, num gesto de reprovação ao ato praticado. Crescemos, buscando aplicar os ensinamentos de nossos pais, ajustando condutas e reavaliando atitudes. Estamos às vésperas das eleições e os candidatos começam a destilar seu ódio contra seus respectivos adversários. Candidatos que em eleições passadas estiveram como aliados e subiram em um mesmo palanque agora passam a utilizar a velha tática nazista da desqualificação de seu opositor. O ex ministro da Fazenda do Governo de Fernando Henrique Cardoso, Rubens Ricúpero certa vez, sem saber que o áudio de um canal de TV estava aberto, disse em alto e bom tom que “no Brasil o que é importante se mostra, o que não é, evidentemente que se esconde”. O protecionismo ele vai até onde os interesses próprios ou coletivos estão em jogo. O crescimento de uma determinada candidata a Presidência da República está colocando seus adversários em polvorosa e novos fatos surgem a cada dia, principalmente no que diz respeito à vida sua vida pregressa, fazendo com que o candidato fique mal perante a opinião pública.
O desgaste político é o maior temor dos candidatos, superior até mesmo à uma falta de popularidade, uma vez que é mais fácil construir uma imagem do que remendá-la. O brasileiro aos poucos está sabendo discernir quem é quem no atual cenário político. O avanço na informação e a rapidez como as coisas se processam acabaram contribuindo para a melhoria no bom senso do eleitor. Recordo-me que nos tempos de colegial havia uma matéria denominada Educação Moral e Cívica. A disciplina trabalhava questões relativas à sociedade. Naquela época, a Lei 869 de 12 de setembro de 1969, estabeleceu, em caráter obrigatório, como disciplina e, também, como prática educativa, a “Educação Moral e Cívica” em todos os sistemas de ensino no Brasil. A disciplina tinha muitas finalidades, dentre elas o fortalecimento da unidade nacional e do sentimento de solidariedade humana, o aprimoramento do caráter, com apoio na moral, na dedicação à família e à comunidade e o preparo do cidadão para o exercício das atividades cívicas com fundamento na moral, no patriotismo e na ação construtiva, visando o bem comum. Mas, os anos passaram e a disciplina foi extinta de maneira equivocada do currículo escolar.
A disciplina retratada acima não queria nem adestrar nem catequizar as pessoas, mas sim, estimular a reflexão do pensamento voltado aos valores éticos e morais. É evidente que a escola não é a única responsável. Ela é parte de um todo que contribui para a formação e informação das pessoas. Neste processo, a família exerce papel fundamental, uma vez que ela é o primeiro grupo social de qualquer indivíduo. Com isso, na família construímos nossos valores morais e éticos. Com o tempo, tais valores são lapidados de acordo com o fluxo das influências, que podem ser positivas ou negativas.
Para os atuais Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) (1998), moral é sinônimo de saber viver relações justas e cooperativas. Nos PCNs, a Ética é tratada como um tema transversal que deve ser pensado pelos professores, sendo que a formação dos docentes e dos alunos acontece também na prática do convívio social em todos os setores da sociedade.
A Ética abordada pelos PCNs não deve ser tratada como disciplina isolada, uma vez que ela busca contribuir para formar cidadãos mais responsáveis. Uma solução para trabalharmos cidadania e civismo nas escolas seria agregar a cada uma das disciplinas da grade curricular pontos de convergência com a formação moral e cívica dos alunos. Questionando e instigando o pensamento crítico dos alunos, nós, professores, cumprimos nosso dever de cidadãos. Outro dia um conhecido relatou que ao entrar em um ônibus circular em Maringá, foi incentivado por inúmeros presentes a não passar pela roleta, para assim poder burlar os R$3,00 a que teria obrigação de pagar. A coisa se inverteu. Existe hoje o senso de que para ser esperto, é preciso trapacear. Tal cultura se arraigou tanto ao modo de vida de tantos que tem-se a impressão de que ser honesto é ser um “trouxa” e que o espertalhão, malandro é o que sabe aproveitar a vida. Precisamos construir uma cultura de caráter e ética. A começar na família, onde pequenos atos fazem toda a diferença. Tem pai, por exemplo, que quando toca o telefone, pede para o filho mentir, dizendo que não está em casa. Parece que estamos vivendo a cultura do lendário personagem Pedro Malasartes, o malandro que usa sua astúcia para sobrepujar e levar vantagens sobre os demais. Ser cínico e inesgotável de expediente para muita gente virou moda. Alcançar os objetivos a qualquer custo é o que vale. Um homem de bem, mesmo o seu próprio prejuízo, honra o que prometeu. Meu velho pai dizia que antigamente se alguém empenhava a palavra, funcionava na base do fio de bigode. Trato era trato e pronto! Hoje pode deixar os pelos do corpo todo, não apenas os do bigode, que mesmo assim a malandragem insiste em reinar. Rubens Ricúpero foi execrado pela opinião pública e acabou deixando o cargo de Ministro. Quando uma mulher adultera estava pronta para ser apedrejada, muitos daqueles homens com pedras nas mãos já haviam se deitado com ela, mas perante o público se diziam moralistas, Jesus derrubou-lhes a arrogância e disse que quem não tinha pecado, atirasse a primeira pedra. Uma a uma as pedras foram soltas e o grupo se dispersando. A hora de agir é no momento em que temos o domínio da situação, principalmente no que tange a nossa maneira de proceder. Tomemos cuidado para que as pedras alojadas em nossa alma não sejam mais numerosas do que as que estão em nossas mãos. Para o país prosperar, precisamos primeiramente de Deus, Educação, Moral e Civismo!

Fonte: Alex Fernandes França

 
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