Segunda Feira, 12 de Novembro de 2018
::: O perigoso apelo às redes sociais e a necessidade em ser aceito virtualmente


26/09/2014
Não restam duvidas de que o mundo virtual é real. Este paradoxo revela o alcance surpreendente fenômeno a que se tornaram as redes sociais. Posso dizer que existem lá suas vantagens. Reencontrar amigos e compartilhar pensamentos, frases e filosofias estão entre as principais. Ser visto pelas comunidades e por familiares de lugares longínquos também é algo vantajoso. Lembro-me da época, no início dos anos 80, em que nos comunicávamos por cartas. Parecia uma forma primitiva, mas ao redigir a carta, era como se a pessoa a quem enviaríamos estivesse ali, ao nosso lado. Neste processo todo, buscava escrever bem, para ser fiel comigo mesmo, honrando não somente os nossos autores e mestres, mas também o familiar que receberia a carta. Hoje o que se vê é uma nova geração “fast food”.Tudo tem que ocorrer de forma muito rápida, prática e descartável. Não se importa mais (para muita gente) com a fidelidade da grafia correta das palavras. A maioria das pessoas acaba abreviando sua escrita, no intuito de ‘ganhar tempo’! Aí vem a pergunta: Que tempo? Ganhar o que? Na vida tenho aprendido que na maioria das vezes quando se perde é que se ganha. O lucro é experiência, maturidade, excelência no falar e escrever dentre outra série de vantagens que o ‘tempo perdido’ pode proporcionar. Na mesma velocidade em que as palavras são descartáveis, os relacionamentos também o são.
Nota-se um apelo muito grande para o indivíduo ser aceito em determinada comunidade. Os grupos se formam muitas vezes por interesses banais que vão embora assim como um vapor de fumaça que logo se desvanece. O que resta desta relação? Normalmente nada. Tenho uma conta no Instagran e vejo constantemente pessoas postarem em perfis alheios as famosas frases ‘troco likes ou SDV’ ou seja, curta minha foto ou me siga de volta que assim eu o farei. O que leva o ser humano ter tal atitude apelativa? Desejo em ser aceito e aprovado perante alguns ou melhor dizendo, quanto mais curtição ou seguidores tiver, mais a pessoa goza de prestígio e credibilidade. Ledo engano. Muito raramente nas redes sociais se formam relacionamentos consistentes e duradouros, de uma efemeridade enorme, pois com a mesma rapidez com que chega, logo vai embora ou no mínimo perde a força e consistência.
Diz-se que o ouro é provado no fogo. Parafraseio dizendo que os relacionamentos humanos seguem esta mesma equação. No calor das adversidades, nos altos e baixos da vida, em tempos de guerra ou de paz é que verdadeiramente os atores desta peça chamada vida se revelam. A tecnologia infelizmente está aproximando os que estão longe e distanciando as pessoas que estão próximas a nós. É comum, nos dias atuais, cada membro da família possuir um tablet, smartphone ou desktop. De posse dessas ‘ferramentas’, cada qual vive preocupadamente em mergulhar no seu universo cibernético e navegar, em águas longínquas e profundas, cujos devaneios da mente desatam os nós e vínculos de seus próximos fisicamente: Pais, filhos, cônjuges são alguns dos que ficam legados a um segundo plano, pois há a necessidade em ser aceito pelos outros, por estranhos e anônimos das redes sociais. Uma pesquisa feita pela da Socitm (do inglês, Sociedade de Gestão da Tecnologia da Informação) na Inglaterra apurou que 67% dos conselhos administrativos nas empresas baniram completamente o acesso às principais redes sociais no ambiente de trabalho por meio do bloqueio das páginas dos principais sites (Twitter, Facebook e Linkedin). Os motivos alegados para o bloqueio foram o temor da exposição a vírus e outras ameaças aos computadores das empresas, além da avaliação de que, o acesso a estas redes sociais representam uma grande “perda de tempo” pelos funcionários. Existem até fazendas virtuais, onde pessoas são convidadas a participar do jogo desta comunidade. O que vemos são jovens alienados, desinteressados completamente por questões que verdadeiramente são relevantes, completamente desorientados, ociosos e com suas mentes ocupadas por coisas banais, que nada de produtivo trarão. Cabe aos pais e educadores orientar seus filhos e alunos para que uma geração de zumbis intelectuais e espirituais não se forme (se isto já não estiver ocorrendo). È importante abrir uma reflexão sobre a necessidade em se impor limites e barreiras. A internet quando mal utilizada gera caos e desgraça. Encontros malfadados marcados pelas redes sociais, envolvendo adultos e crianças, exposição à conteúdos pornográficos, aliciamento para consumo de drogas e práticas de perversão e imoralidade sexuais são alguns dos problemas que o uso inadequado da tecnologia traz. Fora os relacionamentos extraconjugais que se formam a partir de um simples acesso à rede. Seria essa necessidade em ser aceito a qualquer custo, fruto de um vazio da alma de caráter existencial? Pensemos nisso!

Fonte: Alex Fernandes França

 
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