Terça Feira, 23 de Outubro de 2018
::: Editorial: A selvageria humana no dia a dia


14/11/2014
Esta semana no mínimo duas situações chocou nossa reportagem. O relato por parte da Presidência do Conselho Tutelar a respeito do quadro de violências que estão ocorrendo nas escolas públicas de Nova Esperança e a outra situação denunciada por uma moradora, confirmada pela dona de um pet shop da cidade envolvendo a morte de animais de estimação (cães e gatos), supostamente por envenenamento. O filósofo prussiano Immanuel Kant (1724-1804) assim afirmou: "Você conhece o coração de um homem já na forma como ele trata os animais." A situação da violência dentro das escolas públicas está atingindo níveis extremos. Vídeos postados na internet mostram que o estado caótico não é exclusividade desta cidade. Dizer que pessoas desta estirpe são seres humanos é incoerente, mas tratá-los como animais, é menosprezo aos bichos. O que leva um aluno a desferir toda a sua ira contra professores e os outros discentes, a depredar a estrutura do patrimônio público, a levar estiletes e objetos cortantes para a sala de aula, a desrespeitar as mínimas regras de convivência social, para pacífica relação com os outros? Recordo-me que quando criança, com meus amigos de escola, fazíamos sim todos os quais suas estripulias, mas tudo dentro de certo limite. Nossos professores eram verdadeiras instituições para nós. Agredir o mestre era atitude impensada, cuja simples cogitação (que nem passava pela mente de algum), já seria um grande sacrilégio. Sou do tempo em que aluno mal comportado e com falta de educação (não a educação enquanto ensino, mas a educação que vem de berço) eram banido da convivência dos demais.... De que forma? Os professores tinham a autoridade e respaldo suficientes para retirar da sala de aula aquele que não se sujeitava a se adaptar ao meio. Ficavam isolados, fazendo trabalhos paralelos, normalmente sobre o tema relacionado ao fato que o levara a ser separado dos demais da classe. Um exemplo? Deveriam escrever umas cem vezes: “Não devo ser mal educado com meus colegas” ou “Não devo responder com palavrões ao professor”. Lavagem cerebral? Chamem como quiser, prefiro chamar de “lavagem moral”. O aluno era levado a refletir sobre seus atos e sobre qual postura deveria adotar (mesmo que por medo) dali em diante. Isso era respeitar a autoridade do professor e ninguém cresceu traumatizado por conta disto! Quantos de nós, talvez até mesmo você que está lendo esta coluna já teve o “privilégio” de “cheirar” o canto da parede como forma de castigo, por conversações fora de hora, por atitudes desrespeitosas ou outros atos “politicamente incorretos”. A coisa funcionava ou não? Creio que sim. Tínhamos nos nossos mestres, amigos, mas dentro de certo limite, respeitando-os devidamente pela sua posição dentro da sala de aula, eles, no papel de educador e nós, de educando. Ajoelhar no milho ou se submeter à palmatória? Nada disso. Isso não educa, apenas constrange, já que é por demais humilhantes. À medida que a autoridade do professor foi sendo retirado, o aumento da indisciplina cresceu demasiadamente, ao ponto de ver alunos levando armas para dentro da sala de aula. Canivetes, estiletes, tesouras ou outros artefatos fabricados em casa, além, claro da ameaça verbal à pessoa do professor. Tudo isto é fruto da libertinagem a que os “especialistas” permitiram avançar. Quiseram evitar traumas aos alunos só que hoje são os nossos mestres que vivem traumatizados. Aonde iremos com o aumento do caos que se tornou a educação? Ou melhor, a falta dela? Parece inverossímil, mas é a dura realidade. Como legitimar a autoridade do professor em sala de aula? A questão é o ponto de partida para uma reflexão sobre a relação entre professor e aluno e como esta se constitui numa relação em que o professor é reconhecido como referência não só para a busca do conhecimento, mas também para a seleção de condutas social e moral. O professor deve ser reconhecido como autoridade e não deve haver espaço para a indisciplina. Determinados parâmetros morais, como reciprocidade, cooperação, solidariedade e respeito, são responsabilidade da família. Alunos agressivos, apáticos e sem limites são obstáculos para um aprendizado eficaz. Essa situação inviabiliza o estabelecimento de vínculos de confiança e impede que os objetivos da aprendizagem sejam compartilhados pelo professor e pelo aluno. Nesse cenário, o professor sem uma autoridade e controle, perde o domínio da sala de aula e do grupo que se propõe a ensinar.Com a autoridade do professor respeitada, é possível a organização de um espaço de aprendizagem em que há lugar para a indagação, para a curiosidade, para o debate em torno de ideias e hipóteses, para o respeito ao conhecimento construído pelo aluno nas suas vivências sociais e escolares, enfim, um ambiente em que o conhecimento não é inacessível e é reconhecido como fundamental no acesso a bens culturais e materiais produzidos pela sociedade. Já o outro assunto que também mencionei no início deste editorial, sobre os animais que estão sendo envenenados, é bom os praticantes de tal crime colocar suas “barbas de molho”, pois já estão sendo monitorados. A sociedade não tolera mais este tipo de situação. As chocantes cenas da matéria completa sobre esse caso, sem dúvida geram repulsas, deixando a comunidade indignada. Encerro citando Pierre Troubetzkoy (1864-1936): “Por que o homem deve esperar que sua oração por misericórdia seja ouvida pelo que está acima dele, quando ele não mostra nenhuma misericórdia para com o que está debaixo dele?"

Fonte: Alex Fernandes França

 
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