Segunda Feira, 12 de Novembro de 2018
O país do apagão político e social


30/01/2015
A revista Veja desta semana trouxe como manchete de capa um especial focando a ameaça do duplo apagão, dizendo que água e luz no Brasil são irmãs siamesas, na alegria e na tristeza e que por isso a estiagem na região sudeste vai atormentar milhões de brasileiros neste ano. O Brasil é um país de apagões em vários sentidos e o mais grave dele é o apagão social em que milhares de pessoas estão sem emprego, qualificação profissional e consequentemente baixa qualidade de vida. É certo que muitos nem querem (ou não sabem como) melhorar na vida e encontram no assistencialismo barato o meio para sobreviver.
No tocante às crises hídrica e energética, semana passada o Ministro das Minas e Energia Eduardo Braga, tipo fiel de autoridade que nada tem a dizer para o povo em entrevista coletiva brincou  quando foram apresentados os problemas, dizendo que “Deus é brasileiro. Temos que contar que Ele vai trazer um pouco de umidade e chuva para que possamos ter mais tranquilidade”. O azarado Eduardo Braga ao acabar de pronunciar tais palavras, assistiu, juntamente com todos que estavam na sala do auditório em Brasília, para coletiva de imprensa, o apagar das luzes. Ao apelar para Deus, apenas não o fez em tom de rogo, mas como que transferindo a culpa ao criador por coisas que o homem e seu governo petista deixou de fazer, como investir em tecnologias e na construção de usinas hidrelétricas ou outras matrizes energéticas. A transferência de responsabilidades é uma característica de políticos incompetentes e me faz lembrar um episódio que consta  na Bíblia Sagrada no livro de Gênesis capítulo 3 narra o momento da queda de Adão (representando toda a humanidade que viria). Em vez de reconhecer seus erros, falhas e fraquezas,  Adão chega a ser insolente. Ele não disse: “A mulher me deu do fruto e eu comi ...”, mas disse: “A mulher que Tu me deste ...”. Em outras palavras, Adão disse: “Se tu não me tivesses dado essa mulher, eu não teria caído”. Hoje em dia, nós podemos estar fazendo o mesmo. Em nossos esforços de se justificar, acabamos por culpar a Deus dos erros ou negligências que cometemos e evidentemente que a soberba precede a ruína. Que o diga o nosso Ministro Eduardo Braga.
Tenho feito algumas matérias que nem sempre agradam a políticos ou aqueles que destoam do interesse coletivo. O foco da imprensa séria é sempre no sentido de melhorar o lugar em que vivemos (cidade ou região). Infelizmente a maioria destes maus gestores não quer corrigir o problema. Antes disso, vira-se contra os órgãos fiscalizadores e denunciantes. Seja imprensa, Ministério Público, Polícia Federal dentre outros que sempre mantém a vigilância na observância aos anseios e queixumes da maioria. Maus gestores sejam por pouca índole ou incompetência é o que se vê aos montes. Enquanto isso o povo padece e se queixa. Deus faz a parte Dele. Dá-nos a vida, a chuva, o sol, o frio, cada qual na estação própria e pedir socorro divino na parte que compete ao ser humano é algo inconcebível. Já ouvi alguém dizer que cada um deve fazer a sua parte. O que Deus tem a ver com os rombos nas contas públicas? O que o pai celestial tem a ver com os investimentos em áreas erradas que visam proporcionar apenas pão e circo ao cidadão? Por acaso teria o criador autorizado a saquear os cofres da Petrobrás e fazer com que a estatal despenque nas cotações de ações na bolsa? Faz-me lembrar uma frase famosa que diz que “ O petróleo é nosso”. Será?  Esta  frase se tornou famosa ao ser pronunciada, por ocasião da descoberta de reservas de petróleo na Bahia, pelo então presidente da república Getúlio Vargas (1882-1954)  e que, mais adiante, se tornou lema da Campanha do Petróleo. Em 1936, diante dos obstáculos impostos pelo governo Vargas à exploração de petróleo, Monteiro Lobato lançou O Escândalo do Petróleo, no qual acusava o governo de "não perfurar e não deixar que se perfure". O livro esgotou várias edições em menos de um mês.  Escândalo do Petróleo foi censurado em 1937 por Getúlio Vargas, no mesmo ano em que o escritor lançou O Poço do Visconde. Na obra supostamente infantil, diz que "ninguém acreditava na existência do petróleo nesta enorme área de 8,5 milhões de quilômetros quadrados, toda ela circundada pelos poços de petróleo das repúblicas vizinhas". Monteiro Lobato acaba sendo preso em 1941, ironicamente por uma ordem partida do General Horta Barbosa, que mais tarde seria um dos líderes da Campanha do Petróleo. Hoje a Campanha é outra em prol do marco regulatório. “O Pré-sal tem que ser nosso” é um desses slogans. Nosso país é nosso e não de um grupo ou coalizão de partidos. Que Deus nos proteja e nos livre da corrupção. O Criador faz a sua parte e você, assim como eu, tem feito a sua?

Fonte: Alex Fernandes França

 
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