Segunda Feira, 12 de Novembro de 2018
Quarto 29


02/04/2015
No minimo o título deste editorial chama bastante a atenção. Do que se trata? O que o autor quer expressar ao usar o enunciado como "quarto 29"? Seria algum nome de filme norte-americano, destes com grandes estrelas: Clint Eastwood, Tom Hanks, Sharon Stone e os badaladíssimos Brad Pitt e Angelina Jolie, casal ícone em beleza, status, com ganhos milionários? Nāo...nada disso, meu caro leitor.
Seria talvez nome de um livro? Desses dramáticos, escritos por Agatha Cristhie,Sidney Sheldon ou Machado de Assis? Também nāo...
Redijo este texto editorial diretamente do quarto 29, na ala principal do Hospital Nossa Senhora das Graças, conhecido como o "Hospital do Sindicato". A cabeça lateja, juntamente com meu corpo e olhos que doem demais. O motivo? Fui acometido por um mal que está se tornando um grande flagelo em nossa cidade e regiāo: a Dengue!
Por quantas vezes este jornal publicou matérias (uma inclusive na semana passada) retratando em números o avanço da doença. Escrever aqui do hospital, usando meu pequenino smartphone não è tarefa fácil. Quantas campanhas sāo veiculadas no sentido de orientar as pessoas sobre os cuidados que se deve ter e como se evitar a proliferaçāo do Aedes Aegipty, mosquito transmissor da dengue. Infelizmente nossa cultura, pequenina, retrograda e tacanha não è capaz de absorver e incorporar novos e salutares hábitos, em prol de nós mesmos e dos nossos semelhantes.
O quarto em que estou è o 29, mas os demais "aposentos" do hospital também estão lotados. Mudam os números, mas quase todos com o mesmo enredo, triste por sinal, que a Dengue vem proporcionando. Diferente da literatura e do cinema, esta história tem milhares de autores, já que quem está escrevendo è o próprio povo. Umas conseguem ter um final menos trágico. Outros infelizmente não. A dengue já fez inúmeras vitimas fatais. Vou aguardar o ciclo da doença se findar. Espero que o drama da dor e deste  mal tenha um final feliz.
Não me lembro em todos estes anos que a dengue tenha atingido patamares tão elevados.Quase todos os meus amigos já tiveram ou estão com tal enfermidade. Infelizmente afirmo que os que ainda não tiveram, serão pegos pela dengue cujos os sintomas estão cada vez mais fortes, evidentes e  intensos. Chovia bastante na manhā desta segunda-feira. Mais água acumulando, parada ou não, o mosquito já não se importa. Faz-se de rogado e se reproduz em água limpa, suja, parada ou corrente. Observo pela porta entreaberta que uma mãe empurra um carrinho com seu filhinho, um garoto de no máximo 02 aninhos de idade, que chora bastante. Pergunto o que ele tem e prontamente ouço a resposta: “Dengue”. As enfermeiras que me assistem relatam: “A cidade está infestada pela dengue”. Que pena. A temperatura oscila. Frio mesmo, que já seria característica do outono, nada de aparecer. Chove, faz calor, venta... E a água do seu quintal, como está? Paradinha, esperando o mosquito chegar para depositar suas larvas e se multiplicar cada vez mais? Não podemos pestanejar. Com a dengue não se brinca. Ela vem, se instala, estabelecendo um quadro clínico crítico. As filas nos hospitais crescem cada dia mais e os reclames são sempre os mesmos, característicos da doença. Febre, dores na cabeça, no corpo e nos olhos. Não há o que faça para que a dor cesse, a não ser passar ‘ileso’ pelo ciclo de normalmente 07 dias. Enquanto isso o paciente aguarda que este período se finde. Enquanto isso, meu estimado leitor, envio saudações a todos, do lugar mais estranho para se escrever um texto: O quarto 29!
“Dengue: Vergonha...
Mosquito voa...
Pousa na alva cutis.
E enrubesce...”
Francismar Prestes Leal


Alex Fernandes França é Administrador de Empresas, Teólogo, Diretor do Jornal Noroeste e Membro da Associação dos Cronistas do Estado do Paraná.

Fonte: Alex Fernandes França

 
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