Quarta Feira, 24 de Outubro de 2018
Aprendendo com a formiga


10/04/2015
Aprendendo com a formiga
 

Esta semana estive em um supermercado de minha cidade e observei que em uma das gôndolas, muito decorada, diga-se de passagem, havia uma quantidade enorme de ovos de chocolate. Como o calendário com as datas oficiais não permite estender o feriado em questão, rapidamente os comentários surgiram das pessoas que passavam pelo local, destacando as sobras pós Páscoa, sem precedentes nos últimos anos. Não acredito que o comerciante tenha comprado mais do que no ano passado. As recentes altas nos preços da energia elétrica, água, luz, IPVA e dos alimentos incharam o orçamento do brasileiro, o que fez que o salário encolhesse. Não quero aqui fazer quaisquer alusões a consumo de ovos de chocolate e sua eventual relação com a verdadeira Páscoa, já que isso não existe. A análise é justamente sobre o comportamento do mercado e o perfil mais moderado que o consumidor vem adotando, já que a maioria entende ser este um período de incertezas e estagnação na economia nacional. Tem uma fábula muito conhecida, bastante antiga que ilustra o comportamento do nosso povo neste período de corrupção, desmandos no governo e absoluto descontrole da economia nacional.

Conta-se que num dia de quente de verão, uma alegre cigarra estava a cantar e a tocar o seu violão, com todo o entusiasmo. Ela viu uma formiga a passar, concentrada na sua grande labuta diária que consistia em guardar comida para o inverno.

"D. Formiga, venha e cante comigo, em vez de trabalhar tão arduamente.", desafiou a cigarra "Vamo-nos divertir.”.

"Tenho de guardar comida para o Inverno", respondeu a formiga, sem parar, "e aconselho-a a fazer o mesmo”.

"Não se preocupe com o inverno, está ainda muito longe.", disse a outra, despreocupada. "Como vê, comida não falta."

Mas a formiga não quis ouvir e continuou a sua labuta. Os meses passaram e o tempo arrefeceu cada vez mais, até que toda a Natureza em redor ficou coberta com um espesso manto branco de neve.

Chegou o inverno. A cigarra, esfomeada e enregelada, foi a casa da formiga e implorou humildemente por algo para comer.

"Se você tivesse ouvido o meu conselho no Verão, não estaria agora tão desesperada.", ralhou a formiga. "Preferiu cantar e tocar violão?! Pois agora dance!"

E dizendo isto,  fechou a porta, deixando a cigarra entregue à sua sorte. A moral da história diz que não devemos pensar tão somente em nos divertir, em exacerbar no consumismo. É preciso trabalhar, pensando no futuro.  É melhor estarmos preparados para os dias de necessidade.

A situação que cito é respaldada em números. Segundo a Serasa Experian de Atividade do Comércio, esta foi a pior Páscoa em números de vendas desde 2007.  Fato é que o consumidor está com menos dinheiro no bolso e aplica os ensinamentos da formiguinha da fábula citada. Economizar para não faltar. A alta da inflação encolheu o orçamento do brasileiro. O interessante é que na quarta-feira (08) voltei ao supermercado em questão e vi uma promotora de vendas empurrando um carrinho cheio de ovos de chocolate, oferecendo descontos do tipo ‘leve 3 pague 2’. Por que não fizeram isto antes? Acredito que os produtos não foram expostos no supermercado de forma consignada, onde o que não for vendido é devolvido à fábrica ou distribuidoras.  No mínimo o estabelecimento comprou os chocolates e agora precisa “torrar” os estoques para não ficar no prejuízo. A situação só não foi pior porque houve as vendas de última hora e como se sabe, o brasileiro gosta de uma movimentação e acaba um consumo puxando o outro. Entendo que o fraco movimento na Páscoa segue a tendência no varejo e seja um raio ‘x’ do que será o ano para o comercio, a não ser que o panorama mude drasticamente. Este é um cenário econômico incerto, com a diminuição das vagas de trabalho tudo gerado pela perda do poder aquisitivo do nosso povo que espera por dias melhores, para que a retomada do crescimento gere a confiança do consumidor e redunde em esperança de dias melhores para os lojistas e empresários.

A Esperança não murcha, ela não cansa,
Também como ela não sucumbe a Crença,
Vão-se sonhos nas asas da Descrença,
Voltam sonhos nas asas da Esperança.

Augusto dos Anjos (1884-1914)
 

 

Fonte: Alex Fernandes França


 
Veja Mais:

  • 03/08/2018 - O homem cordial, a política e a Lei de Gérson!
  • 04/06/2018 - Mundo em colapso
  • 12/01/2018 - O ano que queremos...
  • 24/11/2017 - Marcas no corpo e na alma
  • 25/08/2017 - "Nem com uma flor..."
  • 28/07/2017 - Ódio ideológico
  • 22/06/2017 - Investir em Esportes faz bem
  • 09/06/2017 - Escolas do Crime
  • 02/06/2017 - Há esperança para o Antonio Esperança?
  • 26/05/2017 - Reciclando ações
  • 19/05/2017 - A amplitude da informação aliada à Educação
  • 15/05/2017 - Até onde vai a credibilidade das redes sociais?
  • 02/05/2017 - Viagens extraordinárias
  • 17/04/2017 - Cidadania e justiça
  • 31/03/2017 - O progresso pede passagem
  • 27/03/2017 - A carne é fraca?
  • 17/03/2017 - Respeito é bom...
  • 03/03/2017 - O menor de idade e a falência do sistema carcerário
  • 24/02/2017 - Refis: justo ou injusto?
  • 17/02/2017 - Chega de violência
  • 10/02/2017 - Que comecem os trabalhos...
  • 27/01/2017 - Fato ou boato: até onde vai a credibilidade das redes sociais?
  • 20/01/2017 - Vilas Rurais: desvio de finalidade?
  • 06/01/2017 - Gestão Pública eficiente: anseio coletivo
  • 23/12/2016 - Real motivo de celebração
  • 17/12/2016 - Responsabilidade Humana
  • 25/11/2016 - Patrimônio inestimável
  • 11/11/2016 - Ultranacionalista no poder
  • 28/10/2016 - Finados: dia de celebrar a vida
  • 21/10/2016 - Bye bye clientes
  •  
    © Jornal Noroeste - Escrevendo a história de Nova Esperança e região desde 1985
    Rua Governador Bento Munhoz da Rocha Neto, 354 - Sala 101 - Nova Esperança, PR - CEP 87600-000 - Fone 044 3252 3908
    Desenvolvido por Hnet Websites