Segunda Feira, 12 de Novembro de 2018
Renovação política em crise


22/05/2015
         Como se sabe, muitas coisas só acontecem por meio do viés político. Seja na esfera federal, estadual ou municipal, a dominante classe política é quem dá as cartas no jogo. Utópico seria dizer que não é assim. Acompanho a política desde o ano de 1982. Ainda criança, lembro-me dos acalorados discursos nos showmícios. José Richa, Álvaro Dias, Saul Raiz, Ramires Pozza, Basílio Zanusso, Antonio Ueno são alguns dos primeiros políticos que ouvi discursar. Lembro também nas eleições municipais de 1982. A eloquência e postura do Dr. João Urbano, de saudosa memória, que posteriormente seria eleito prefeito para o mandato de 1982 a 1988. Amante do esporte investiu muito em saneamento urbano e na área assistencial de Nova Esperança. Uma positiva referência.
Depois fui crescendo e acompanhando mais de perto a política. Muitos hão de se lembrar da eleição municipal de 1988, tendo como adversários entre si Ercílio Kreling, já veterano na política, haja vista que já havia sido prefeito entre 1973 a 1977 e o até então novato Silvio Chaves (PMDB). A expressão da época utilizada pelos aliados do Silvio é que a vitória seria por uma diferença ‘di bardi’ ou “de balde”, termo usado com muita propriedade para a época, o qual justifico. Como não havia o advento da urna eletrônica, os votos eram conferidos cédula por cédula, ou seja,  contados um a um, em um  demorado processo de escrutinação.
Os candidatos iam se alternando na liderança e a diferença dos votos entre um e outro daria para encher baldes e mais baldes com as cédulas de papel. Nesta eleição quem saiu vencedor foi Ercílio Kreling, filiado ao PFL. Claro que os correligionários do ‘seu Ercílio’ aproveitaram para arrazoar com o grupo derrotado, usando a expressão ‘di balaio’, remetendo a ideia que a diferença de votos havia sido maior pró Kreling em relação ao que o grupo de Chaves previa em prol de si mesmo. Na eleição seguinte, em 1992, Silvio Chaves novamente se lançaria candidato e desta vez enfrentando Aylton de Deus Mateus, apoiado por Ercílio, já que não havia a possibilidade de reeleição.  Desta feita Silvio se elegeria para o mandado de 04 anos, entre 1993 a 1996. É claro que o episódio do ‘di balaio’ jamais fora esquecido e o grupo do já eleito prefeito Silvio Chaves aproveitou pra dar o troco, lotando um caminhão de móveis e utensílios velhos, simbolizando a mudança da cidade do ex-prefeito Ercílio. Claro que isso em tom de gozação, ganhando tons folclóricos para os mais apaixonados. Estes foram apenas alguns dos fatos ocorridos nos meandros da disputada política local. As lideranças surgiam pela paixão de fazer política. Alguns se desvirtuavam no decorrer do caminho, mas não tenho dúvidas de que o quadro era bem diferente do que ora se apresenta. Hoje se vive uma crise de renovação. Ser novo em idade nem sempre está ligado à ideia de renovar, principalmente quando se vê no atual contexto pessoas com tal perfil, mas carregadas de maléficos vícios e a ideia de que o órgão público tem que servir os seus interesses particulares e do grupo que o apoia, monitora e orienta. Procura-se homens ou mulheres probos (as), de caráter, dignidade e competência para preencher os anseios da população. Os políticos que aí estão vão passando, cumprindo seus mandatos e obrigações e se eventualmente falharem, por seus atos responderão. Outros precisam emergir para comandar o município e legislar em prol do povo. Cito o caso da minha Nova Esperança. Beira o absurdo certos nomes mencionados para se candidatarem às eleições municipais de 2016. Gente com má fama e sem qualquer histórico de bons serviços à sociedade, muito pelo contrário, aplicando golpes e vivendo da boa vontade alheia e desta tirando proveitos. A sociedade quer novas lideranças sim, mas com requisitos que lhe confiram credibilidade na hora do voto. Malandros que dão tapinhas nas costas o povo não quer. Bobeiras e bobagens não resolvem. A população quer propostas (ou pelo menos isso deve almejar). Temos exemplos bons em nossa comunidade, que passam pelo crivo da observação popular. É preciso haver um comprometimento para com as necessidades das famílias de nossa cidade, voltado ao bem-estar e a preocupação em investir na qualidade de vida.  O que fala muito na política é o poderio financeiro. Quem gastar mais consequentemente terá maior visibilidade. O candidato desprovido de recursos vultosos acaba nadando e morrendo na praia. Isto se de fato tiver pelo menos os ‘braços’ para nadar. Existem os que acreditam na força política sem precisar se vincular a qualquer grupo. Pura ilusão.
 Vou aqui citar um trecho de Aristóteles (384-322 a.C.), em sua célebre obra denominada  ‘A Política’ quando diz: "O homem, quando perfeito, é o melhor dos animais, mas é também o pior de todos quando afastado da lei e da justiça, pois a injustiça é mais perniciosa quando armada, e o homem nasce dotado de armas para serem bem usadas pela inteligência e pelo talento, mas podem sê-lo em sentido inteiramente oposto. Logo, quando destituído de qualidades morais, o homem é o mais impiedoso e selvagem dos animais, e o pior em relação ao sexo e à gula". Sábias palavras!
Alex Fernandes França é Administrador de Empresas, Teólogo, Diretor do Jornal Noroeste e Membro da Associação dos Cronistas do Estado do Paraná.

Fonte: Alex Fernandes França

 
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