Terça Feira, 21 de Agosto de 2018
Correndo atrás das borboletas...


11/06/2015
O saudoso e célebre escritor gaúcho Mário Quintana (1906 - 1994), considerado o ‘poeta das coisas simples’ tem uma frase que gosto muito. “O segredo não é correr atrás das borboletas e sim cuidar do jardim para que elas venham até você”. O Paraná encerrou nesta semana uma legítima e demorada greve, onde o governo travou uma queda de braço com os trabalhadores e trabalhadoras na educação, representados pela APP Sindicato. A assembleia que determinou o fim da greve teve a participação de mais de 12 mil educadores que lotaram o estádio Durival Brito e Silva (Paraná Clube) em Curitiba e 70 % aprovaram o fim do demorado imbróglio. 23 dos 29 Núcleos Regionais de Educação entenderam que era o momento de por fim à greve. Penso que o governo saiu perdendo força e prestígio cujo rastro de desgaste político será difícil de ser revertido. Não cuidou do jardim e agora vai tentar correr atrás das borboletas que ele tinha antes do movimento.  Este foi um período de muitos embates e que creio eu, os maiores prejudicados serão os alunos, justamente pela falta de correta articulação governamental em tempo hábil de estabelecer uma linha de diálogo que terminasse rapidamente com as paralisações que repercutiram nacionalmente.  
A Secretaria de Estado da educação (SEED) entregou, por ocasião das deliberações que discutiram o final da greve, um documento onde assumiu o compromisso de não descontar dos professores o tempo em que ficaram paralisados. A sociedade, composta de pais e alunos espera que episódios deste tipo, quando repetidos na busca dos direitos, sejam encerrados o mais brevemente possível, haja vista que são enormes os prejuízos. E as borboletas perdidas, a essência pura e genuína do conhecimento, quem recolherá aos alunos? Os profissionais da educação fizeram, e muito bem, diga-se de passagem, o seu papel. Reivindicaram, lutaram, correram atrás dos seus direitos conquistados por décadas, porém, um rastro de prejuízo devido à ingerência governamental ficará e deixará marcas futuras aos educandos. Agora é outro momento. O de adequar o calendário para que a reposição das aulas aconteça. Professores e alunos serão sem dúvidas penalizados e sobrecarregados com o novo calendário que se avizinha, por meio de uma mesa de negociação entre governo, via Secretaria da Educação e a entidade que representa os professores (APP Sindicato). A Secretária Da Educação do Paraná, Ana Seres, garantiu que serão cumpridos os 200 dias letivos e as 800 horas, conforme determina a Lei e Diretrizes e Bases (LDB). O governo emitiu nota esta semana dizendo que: “Ficou decidido que as faltas do mês de abril (4 dias) só serão reembolsadas e tornadas sem efeito a partir do momento em que houver a entrega dos Relatórios Mensais de Freqüência (RMF) até o dia 12 de junho e forem elaborados e homologados todos os calendários das unidades escolares pelas chefias dos Núcleos Regionais de Educação (NREs). 

A data limite para as escolas encaminharem seus calendários é 19 de junho. Os novos calendários escolares serão homologados pelos Núcleos Regionais de Educação. A homologação deve ser feita até o final de junho”. 
Foram 44 dias de paralisação, lutas árduas e intensas, mas que agora chegam ao fim ou pelo menos, adormecem. Em se tratando de lutas de classe nunca se deve esmorecer e manter a vigilância é sempre o melhor caminho para a soberania e manutenção das conquistas e a luta para que novos ganhos coletivos ocorram.
Para o governo, o tempo agora é outro. Siga os conselhos do Quintana. Plante flores. Não literalmente. A prática das ações novas que a administração estadual deve (e precisa) incrementar vai dizer as espécies de plantas  que serão cultivadas. Os professores até agora receberam muitos espinhos. Se colheram flores, foram poucas. As borboletas fugiram, mas estão aptas para voltar. Depende da qualidade deste novo jardim e o trato que o jardineiro Richa terá com elas. Os deputados também estão inclusos neste processo e precisam ser uma ponte firme, forte e justa entre o povo e o governo. Esses legisladores precisam estar antenados entre o que as classes almejam e que não sejam eternamente subservientes ao Poder Executivo. Já está mais que comprovado que o autoritarismo não tem mais espaço e que o diálogo sempre é (e será) o melhor caminho. Que assim seja!!!
“A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo”. Nelson Mandela (1918-2013) 

Fonte: Alex Fernandes França

 
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