Segunda Feira, 12 de Novembro de 2018
Como um vapor de fumaça


26/06/2015
Esta semana o Brasil vivenciou a trágica morte de dois jovens. Tratam-se do cantor Cristiano Araújo e de sua namorada Alana, de 29 e 19 anos respectivamente. Há uma concepção filosófica arraigada, equivocadamente, na nossa cultura de que apenas os velhos morrem. Quisera antes que assim fosse, porém não é bem desta forma na prática. O próprio Cristiano Araújo deu uma entrevista a uma emissora de TV há cerca de duas semanas, onde num tom muito bem humorado, relatava o depoimento de uma fã através de uma rede social em que dizia assim: “Você teve dengue quatro vezes e quem morre é o José Rico?”. Ele brincou, dizendo que viveria muito tempo ainda. Ledo engano do jovem artista, que mal sabia o que o destino lhe preparava. A vida é comparada pelas Sagradas Escrituras a um “vapor de fumaça, ali está e logo se dissipa”. Ninguém sabe a hora, nem o dia, local ou circunstâncias da morte. Recordo da minha infância, amigos que na mais tenra idade partiram desta vida. Um destes, talvez o mais marcante de todos foi um garoto que comigo estudou nas séries iniciais da Escola Municipal Cônego Francisco. Ele tinha diabetes em grau bastante agressivo. Foi internado em um hospital da região e sem exames prévios, médicos lhe receitaram um tipo de soro, composto em grande parte de glicose, o que fez com que os níveis de açúcar no sangue subissem rapidamente, o que causou choque anafilático e este veio a óbito. Foi um evento ao mesmo tempo trágico e marcante.
A vida reserva surpresas e paradoxalmente a morte é uma delas. Conviver com isto, tanto para familiares ou amigos mais próximo requer um nível de espiritualidade muito elevado e por mais que assim seja questionamentos são inevitáveis. Tem uma passagem na Bíblia que chama a atenção. “Jesus propôs-lhes então uma parábola, dizendo: O campo de um homem rico produzira com abundância; e ele arrazoava consigo, dizendo: Que farei? Pois não tenho onde recolher os meus frutos.
Disse então: Farei isto: derribarei os meus celeiros e edificarei outros maiores, e ali recolherei todos os meus cereais e os meus bens; e direi à minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe, regala-te.
Mas Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?
Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus. Lucas 12: 16-21.
Caro leitor. A vida merece ser vivida em plenitude. Hoje as pessoas estão correndo atrás de dinheiro, fama, riqueza e estão esquecendo de coisas maiores, de fato substanciais que se referem à eternidade. Na parábola acima citada o homem em questão é chamado de  louco porque quis satisfazer a sua alma com os bens. Porém só Deus pode suprir as necessidades da alma. Esta loucura é a de colocar os olhos nas coisas passageiras, sem imaginar que há algo de fato mais importante do que simplesmente vaidades e riquezas desta efêmera vida. Podemos sim buscar coisas para nossos deleites, mas jamais sem se esquecer de que Deus é o mais importante e que temos que usar as coisas para servir às pessoas e não ao contrário, como comumente é praticado. Existem momentos na vida que são inegociáveis. Um tempo a sós com o filho, um momento de lazer com a família, um tempo de comunhão e confraternização com os amigos e um momento de devoção e busca a Deus, já que como descrito, as coisas do alto são as que verdadeiramente importam. Muitas coisas são bacanas ao ser humano, porém poucas são de fato duradouras. Ver pessoas jovens partindo desta vida nos causa uma grande comoção. Tanto futuro adiante ceifado prematuramente por meio de um grave acidente. Desculpa que a vida traz para dar lugar à morte. Uma doença terminal ou um acidente repentino são apenas alguns vapores de fumaça e os tais não podemos reter em nossas mãos. Viva a vida com excelência. Trabalhe, estude, respeite os amigos, colegas, professores, mas tenha em mente de que tudo nesta vida é muito, mas muito passageiro. Beije, abrace, ria bastante,  curta a vida, usufrua da vida, sabendo que esta passa.  Felizes estamos no palco da vida, mas até quando a teremos para reter? Diz-se que Alexandre o Grande pediu para ser enterrado com suas mãos colocadas de tal modo que todos poderiam ver que elas estavam vazias. É também relatado que, quando a cripta do Imperador Carlos Magno foi aberta, ele foi encontrado sentado em seu trono, uma figura agora só ossos, apontando para um texto em uma Bíblia aberta: “Que aproveita ao homem, ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?” (Marcos 8:36). É uma pergunta muito boa.
“A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos”.  Charles Chaplin (1889-1977)
 
Alex Fernandes França é Administrador de Empresas, Teólogo, Diretor do Jornal Noroeste e Membro da Associação dos Cronistas do Estado do Paraná.

Fonte: Alex Fernandes França

 
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