Segunda Feira, 12 de Novembro de 2018
A política dos interesses


24/07/2015
No Brasil (e creio que no mundo assim também o seja) impera a política dos interesses. Outro dia ouvi certo político dizer que a ele eram encaminhados pedidos por parte de deputados para apoiar suas proposituras. Ledo engano imaginar que deputados pedissem algo para o povo, como a construção de creches, postos de saúde, escolas dentre outras benfeitorias que servissem a população. Os pedidos eram para algo estritamente pessoal e nada para o povo. Já cansei de ver veículos destinados a Prefeitura ou demais órgãos públicos e a cada semana deputados das mais diferentes correntes partidárias se dirigirem às lideranças locais para tirar aquela ‘tradicional’ foto que usam para rechear as páginas de redes sociais e ficar bem, segundo percepção dos mesmos, junto ao eleitorado local.
As eleições para prefeitos e vereadores se avizinham. Já começaram as corridas internas visando as alianças e articulações em torno de nomes para compor o quadro partidário. Mais uma vez comprova-se que de fato a política é um jogo de grandes interesses, onde desafetos declarados se unem em prol de um bem comum, só que não ao povo. Esse bem comum é comum a eles mesmos, onde a sede pelo poder é infinitamente superior às antigas desavenças e as conveniências comandam o pleito. É impossível desconhecer o choque de interesses, mais do que o embate das ideologias. Historicamente, sempre que foi possível conciliar os interesses nas partilhas das influências e o domínio pleno do poder, as alianças se formam.
Cito como exemplo internacional,  por ocasião da Segunda Grande Guerra Mundial (1939-1945) onde países desafetos declarados como Estados Unidos e Inglaterra, cujo clima entre ambos era tenso, se uniram, com a França também e formaram a aliança contra o chamado Eixo do Mal (Alemanha, Japão e Itália). Isso só foi possível graças a articulação do General Francês Charles de Gaulle (1890-1970) em unir o primeiro Ministro da Inglaterra Winston Churchil (1874 -1965) e o Presidente norte-americano Franklin Delano Roosevelt (1882 - 1945). A França estava sendo destruída pela Alemanha e somente a união entre ingleses e americanos poderia salvá-la. Os interesses em comum acabaram se sobrepondo às desavenças pessoais e políticas. Como se vê, o quadro é sempre o mesmo, apenas se modifica os atores. Esse Charles de Gaulle é o mesmo a quem atribuem erroneamente ter afirmado que “O Brasil não é um país sério”. Tal frase na verdade é do diplomata brasileiro Carlos Alves de Souza Filho, embaixador do Brasil na França entre 1956 e 1964, genro do presidente Artur Bernardes (1875-1955). Num país sério, a política do ‘toma lá, dá cá’ não pode prosperar. Os mensalões e mensalinhos acontecem porque há os corruptos e corruptores prontos a fazer tal jogo. Congresso Nacional, Assembleias Legislativas e Câmaras (dos deputados e vereadores) que se deixam corromper e cobram para aprovar textos enviados pelos respectivos chefes do Poder Executivo. Cobram favores pessoais ou em dinheiro mesmo, o dito “propinoduto” em que chefes operadores do esquema a exemplo de Marcos Valério, comandam toda a rede de corrupção. Um absurdo neste país, que repito não é sério, é o fato de partidos políticos receberem doações. É muito claro que uma vez que chegam ao poder seguem a filosofia de beneficiar a quem os ajudou em tal intento. Empreiteiras e empresas que doam recursos não o fazem porque são boazinhas. Isto é conto da carochinha, mera conversa pra boi dormir, como diz o adágio popular. Os interesses econômicos pessoais infelizmente comandam essa nação. Projeto de poder sobrepuja projeto de governo e assim se estabelecem os políticos profissionais, que envergonham o país e dilapidam suas riquezas que escoam pelos ralos da corrupção, flagelo do nosso século. Que Deus tenha misericórdia do nosso País e de nosso povo!
 
“Em política, a comunhão de ódios é quase sempre a base das amizades”. Charles Tocqueville (1805-1859)

 
Alex Fernandes França é Administrador de Empresas, Teólogo, Diretor do Jornal Noroeste e Membro da Associação dos Cronistas do Estado do Paraná.

Fonte: Alex Fernandes França


 
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