Terça Feira, 23 de Outubro de 2018
A necessidade de uma nova ordem política e social


21/08/2015
O descontentamento generalizado com os últimos episódios de corrupção no País e o sucateamento de instituições sólidas como, por exemplo, a estatal Petrobrás, dilapidada por bandidos que se mancomunaram com empreiteiras para favorecimentos pessoais e enriquecimento ilícito por meio do pagamento de polpudas propinas, colocou o povo brasileiro em estado de alerta. Na contramão disso ocorre a crise econômica que se instaurou no País, aonde a inflação vem ganhando força e o salário do trabalhador achatado cada vez mais.
A combinação corrupção + perda do poder de compra+aumento no desemprego culminou com a insatisfação popular que aí está.  Esta semana li uma notícia em um site em que um grupo defendia a volta da monarquia. É o chamado Movimento de Restauração da Monarquia no Brasil, com um razoável número de defensores. Em síntese assim diz os propositores da ideia: “Conscientizar os brasileiros para a criação de um movimento forte, com a finalidade de restauração da Monarquia Parlamentar Constitucional no Brasil”. O grupo prega o distanciamento total e absoluto do partidarismo político republicano não deixando que o movimento seja  manipulado pelos ditos partidos. “Temos agenda própria e responsabilidade histórica diferente” pregam seis defensores.

Particularmente não creio que a ideia da restauração da Monarquia prospere no Brasil. Já houve inclusive uma consulta popular para aferir os desejos da população. Foi por meio de um plebiscito, acontecido em 21 de abril de 1993 para determinar a forma e o sistema de governo do país. Após a redemocratização do Brasil, uma emenda da nova Constituição determinava a realização de um plebiscito no qual os eleitores iriam decidir se o país deveria ter um regime republicano ou monarquista controlado por um sistema presidencialista ou parlamentarista. A maioria dos eleitores votou a favor do regime republicano e do sistema presidencialista, maneira pela qual o país havia sido governado desde a Proclamação da República 104 anos antes. Os monarquistas defendem que no período regencial o Brasil passou por um período de grande estabilidade econômica. Não creio que tal movimento prospere. Mas outro que vem ganhando força a cada dia é a de uma intervenção militar. Diferentemente de Golpe Militar, a intervenção encontra respaldo legal onde se estabeleceria um governo militar provisório de 03 meses até que se convoquem novas eleições presidenciais. A crise política que se instaurou no nosso País talvez seja a grande mola propulsora para um levante militar. Considero o Golpe um retrocesso. Quando em 31 de março de 1964, os militares deram o Golpe, com apoio de partidos da direita, acreditava-se que seria um governo provisório. Muitos dos que apoiavam a intervenção dos militares e que  tinham pretensões políticas para a Presidência da República, cito dentre estes o governador do Estado da Guanabara, Carlos Lacerda (1914-1977), viram ruir os sonhos com a perpetuação dos militares no poder, que ali permaneceram se revezando pelo período de 21 anos (foram 05 os presidentes militares neste período) até que em 1985 ruiu este ciclo. De caráter autoritário e nacionalista, teve início com o golpe militar que derrubou o governo de João “Jango” Goulart, o então presidente democraticamente eleito. O regime acabou quando José Sarney assumiu a presidência, o que deu início ao período conhecido como Nova República. Em países de economia forte e instituições fortes não se houve falar em tentativa de Golpe. Nosso país passa por um momento delicado e de um parlamentarismo velado, onde o Congresso Nacional, nas mãos de um único partido (PMDB) dá as cartas no jogo. Agora surge a tentativa sórdida de limitar os poderes investigativos da Polícia Federal. Como já tentaram fazer com o Ministério Público em um passado recente, tal situação configura-se num atentado à democracia e nítida evidência de que o País verdadeiramente descambaria para a anarquia total, sem órgãos fiscalizadores e investigativos onde a roubalheira iria correr solta. Uma nova ordem política e social precisa acontecer no Brasil. Esse é o País das negociatas, onde o que interessa é o ‘toma lá, dá cá’. Faltam políticos comprometidos com o povo e com as classes, sejam estas as menos favorecidas ou as um pouco mais abastadas, ditas média. Os setores produtivos deste país que perecem por falta de incentivo. Com uma carga tributária elevada, muitos empresários estão fechando as portas e encerrando suas atividades. O escritor e filósofo francês Montesquieu (1689 - 1755) tem uma frase que retrata tal situação: “A corrupção dos governantes quase sempre começa com a corrupção dos seus princípios”. Onde estão os que caminham na contramão desta sórdida e corrupta cultura?
 
“Quando os homens são puros, as leis são desnecessárias; quando são corruptos, as leis são inúteis”. Benjamin Disraeli (1804 - 1881)
 
Alex Fernandes França é Administrador de Empresas, Teólogo, Diretor do Jornal Noroeste e Membro da Associação dos Cronistas do Estado do Paraná.

Fonte: Alex Fernandes França


 
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