Segunda Feira, 12 de Novembro de 2018
Muito prazer, cidadania!


18/09/2015
O termo cidadania tem origem etimológica no latim civitas, que significa "cidade". Estabelece um estatuto de pertencimento de um indivíduo a uma comunidade politicamente articulada – um país – e que lhe atribui um conjunto de direitos e obrigações, sob vigência de uma constituição. Muitos membros da nossa sociedade deixam de exercer a verdadeira cidadania, influenciados sem dúvidas, por um aspecto cultural, fazendo assim com que o coletivo perca, o que se constitui uma lástima. A reportagem deste Jornal publica logo mais na página 03 (ao lado) uma extensa matéria em que denuncia uma prática que se perpetua, mas cujos autores nada fazem para mudar tal panorama. As pessoas simplesmente abandonam seus entulhos às margens das estradas rurais e até mesmo em bairros residenciais de Nova Esperança, num descaso total para com o seu próximo e que pode gerar sérios danos ambientais como a propagação de insetos vetores a exemplo do mosquito da dengue. Quando se omite em fazer o que é correto e passa a praticar atitudes erradas, o indivíduo, que não pode ser considerado cidadão na essência e mais pura concepção da palavra, se furta em exercer a sua cidadania da forma mais plena.
Quantas vezes nos deparamos com pessoas dirigindo seus carros e quando se menos espera, ‘puft’, um objeto ou resto de alimento é lançado para fora do veículo, emporcalhando a cidade ou as margens das estradas. Muitos objetos demoram décadas para se recompor. No caso das cidades, a possibilidade de seus recolhimentos é maior. Já na rodovia, se torna mais complicado, haja vista que a circulação de equipes para este fim é bem mais remota. Falta de educação que faz com que a cidadania deixe de ser exercida.
È fato público que a cidade foi atingida por um temporal, com queda de granizo que danificou milhares de casas. Qual o pensamento de uma pessoa que se aproveita de tal situação de calamidade pública e revende aquilo que obteve na forma de donativo? Cestas básicas e lonas plásticas foram as ‘mercadorias’ em questão. Onde está a noção de cidadania? Nenhuma, por sinal, que vai além: falta de caráter e senso de coletividade em ajudar o seu próximo, que pelo quadro apresentado, está em piores condições e que portanto precisa da ajuda do poder público, das entidades e de  pessoas de bem que se propuseram em socorrer a comunidade necessitada em um momento tão crítico. Mas o alento que nos dá esperança é que a maioria ainda pensa na dor e no sofrimento alheio. Há a latente necessidade de que os princípios que norteiam a cidadania sejam incorporados na cultura brasileira. Aquele estigma da “Lei de Gerson”, que ficou imortalizada por meio da propaganda de uma marca de cigarro em que o que importa é ‘levar vantagem em tudo’ precisa se desprender do modus vivendi de boa parte dos que são cidadãos por direito constitucional, mas não o são de fato, pois burlam tal prerrogativa inerente ao seu verdadeiro papel.  Exercer a cidadania é também cobrar e lutar pelos seus direitos e engajar-se nas questões sociais que sem dúvidas precisam ser defendidas em prol do coletivo. A  conquistas dos direitos civis, sociais e políticos advindas após o fim do regime militar (1964-1985) não conseguem ocultar o drama do nosso povo o que deixa que a cidadania, numa interpretação de  âmbito sociológico, seja exercida. E na contramão disso estão os saqueadores, aproveitadores da situação de vulnerabilidade de seu concidadão, que tanto criticam os políticos corruptos, mas que agem de tal forma na base da pirâmide. Extrato da própria sociedade, os corruptos são reflexos de pessoas deste tipo, sem extirpe e honra, sem caráter ou dignidade, corruptos tais que vendem a lona, a cesta básica e se possível, até a própria genitora!
 
“Não existe sucesso ou felicidade sem o exercício pleno da cidadania e da ética global” - Carlos Roberto Sabbi (professor do departamento de administração da Universidade de Caxias do Sul)


Alex Fernandes França é Administrador de Empresas, Teólogo, Diretor do Jornal Noroeste e Membro da Associação dos Cronistas do Estado do Paraná.

Fonte: Alex Fernandes França

 
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