Sábado, 23 de Junho de 2018
Vilas Rurais: desvio de finalidade?


20/01/2017
Para muitos, as Vilas Rurais constituem uma falsa reforma agrária. Tal afirmação pode até ter certo fundamento, porém não absoluto. O que vimos na reportagem desta semana na Vila Rural de Nova Esperança é um bom exemplo a ser seguido. Enquanto a maioria dos lotes existentes naquelas cercanias está sendo utilizada como área de lazer, a pequena propriedade da família Rissardi é um dos poucos casos que fogem à regra (ou melhor, se inserem na filosofia original quando da concepção das Vilas Rurais). O agricultor, que trabalha incessantemente diversificou sua propriedade. Ali, além de uma pequena fábrica de salgados, ele possui horta, criação de animais (leitões, vaca, galinhas caipiras/poedeiras etc.) e garante de forma digna, o sustento da sua família.
Se muitas Vilas Rurais se tornaram uma “farsa agrária”, muito se deve à motivação das pessoas que adquiriram os lotes. Sem trabalho não se chega a lugar algum. O que vemos especificamente na Vila Rural de Nova Esperança é que em boa parte dos seus 108 lotes de cinco mil metros quadrados cada, poucos são os donos originais. Contratos de gaveta surgiram aos montes e vários lotes já estão em seu 6º “proprietário”. Ninguém tem documento de nada.
O Projeto das Vilas Rurais originou-se  do Programa Paraná 12 meses e foi iniciado em 1995, financiado pelo Banco Mundial e pelo Governo do Estado, na época do Governo de Jaime Lerner, sendo que a compra do terreno foi feita pelas prefeituras municipais, por meio da Secretaria Municipal de Agricultura – SMA, com participação da Emater e Cohapar. Tal programa foi desenvolvido para fixar o homem no campo, prevendo um lote de meio hectare, uma casa de 44,52 m2 e insumos para o plantio. Alguns agricultores justificam que o tamanho do terreno é pequeno para garantir a subsistência da família. Na contramão deste paradigma a família Rissardi segue trabalhando, prosperando no segmento rural.
Com o apoio da Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento de Nova Esperança, mais de 80 produtores rurais já implantaram o Projeto chamado “Tanque-lona – renda, lazer e qualidade de vida”. Com um investimento relativamente baixo (praticamente o custo de uma lona plástica) estão montando tanques para a criação de peixes.
Quando se tem vontade de trabalhar e crescer somados a uma dose de empreendedorismo, os resultados sem dúvidas aparecem. Embora muitos lotes estejam ociosos, com mudança clara de finalidade, existem outras poucas famílias que plantam e tiram da terra todo ou pelo menos parte de seu sustento. Até mesmo pequenos barracões de bicho da seda estão instalados na Vila Rural. Pra uma família tocar, sem a existência do meeiro ou “porcenteiro”, dá sim pra agregar renda.
A proximidade com a cidade possibilita aos moradores da Vila Rural exercer trabalhos fora. Para os que alegam que produção rural no lote se faz insuficiente, buscar um serviço em outros locais é necessário. Sequer hortas cultivam, indo aos mercados comprar as verduras e leguminosas. Quem transforma o local em que está é o indivíduo que o habita. Fazer a diferença é um grande desafio. Parabéns Leonídio Rissardi e família. Parabéns a todos que não se contentam em deixar o meio em que habitam como está; antes procuram transformá-lo, para o bem de sua família e consequentemente de toda a sociedade!

 

“Há mais pessoas que desistem do que pessoas que fracassam” - Henry Ford (1863-1947) 

Fonte: Alex Fernandes França


 
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