Sábado, 23 de Junho de 2018
Viagens extraordinárias


02/05/2017
Aconteceu no último final de semana a 1ª FLINE – Feira do Livro de Nova Esperança. Muitas pessoas não se dão conta, mas o conteúdo enriquecedor da leitura é capaz de mudar sobremaneira a forma com que os leitores encaram o universo que os norteia. Recordo-me nos tempos em que meu pai tinha um pequeno bar na rodoviária de nossa cidade.
No período da manhã eu estudava e à tarde, junto com meus pais e dois irmãos, íamos então para o bar. Aquele ambiente me incomodava, porém era dali que o sustento da minha família era retirado. Pra não ficar na ociosidade e à mercê de más companhias, meu reduto preferido era a biblioteca pública municipal Érico Veríssimo, que ficava ao lado do prédio da antiga Telepar, bem próximo à estação rodoviária. Ali eu mergulhava em um novo universo de conhecimento, saber e  grandes aventuras.
Nossas condições financeiras não nos permitia viagens para outros lugares, mesmo os mais próximos. Mas confesso que no mundo da imaginação milhas viagens foram extraordinárias. Como nos livros do escritor francês Júlio Verne (1828-1905), fiz uma “Viagem ao Centro da terra”, dei “A volta ao mundo em 80 dias” ao lado de Philleas Fogg e seu lendário criado e fiel escudeiro Passepartour, personagens centrais daquela grande obra deste autor considerado o pioneiro no gênero da ficção científica. Banquei o detetive nos livros da série Vagalume, leitura obrigatória para os juvenis da época. Também, na obra de Verne fui “Da terra à lua” e passei até “Cinco semanas em um balão”, até que cheguei à “Ilha misteriosa”.  Todos estes são nomes de alguns dos muitos livros de Júlio Verne que li.
Outro autor que eu gostava muito era Marcos Rey (1925-1999).  Escreveu, dentre tantos livros, “O rapto do garoto de ouro”, “O mistério do cinco estrelas”, “Um cadáver ouve rádio”. Seus escritos sempre geraram em mim grande fascinação. Indubitavelmente a Bíblia Sagrada é “hors concour”, livro em que temos o privilégio de ler acompanhado do autor, na pessoa do Espírito Santo. A lista de escritores que aprendi a admirar é enorme e não caberia neste espaço;
Durante o tempo em que acompanhei a abertura da FLINE, foi como uma volta ao passado. Aquelas crianças fizeram-me recordar os tempos de outrora e a iniciativa louvável por parte do departamento de Cultura me faz crer que o universo de leitores nunca vai parar de crescer, mesmo em meio à avassaladora tecnologia.
O interessante é que os livros expostos e à venda eram impressos, o que me permite afirmar que a leitura pelo meio digital nunca chegará perto do prazer de pegar um exemplar totalmente seu e saborear o conteúdo, sem quaisquer prejuízos para os olhos ou psicológico, que inegavelmente a dependência tecnológica gera.  
O material disponível para leitura na biblioteca municipal é riquíssimo. O acervo contempla obras antigas e atuais. Não importa em que ano o livro foi escrito. Sua mensagem sempre será atemporal. A leitura, seja para estudar, se informar ou enriquecer o vocabulário, tem o poder te transformar realidades.  Aprimora a escrita e propicia o aprendizado de conteúdos por meio do exercício contínuo de interpretação dos textos.

Aqueles que dizem que não tem paciência pra ler um livro, o requisito fundamental é ter disciplina. Cultivar o hábito da leitura desde a mais tenra idade é condição “sine qua non” para que o indivíduo seja bem articulado e tenha o bom domínio da fala, escrita e se desenvolva com excelência na área em que optou por atuar. Afinal de contas, como disse Cora Coralina (1889-1985): “o saber a gente aprende com os mestres e os livros. A sabedoria se aprende é com a vida e com os humildes”.

 
“O livro traz a vantagem de a gente poder estar só e ao mesmo tempo acompanhado” - Mario Quintana  (1906 - 1994)

Fonte: Alex Fernandes França


 
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