Sexta Feira, 24 de Novembro de 2017
Escolas do Crime


09/06/2017
Segue nesta edição uma matéria sobre a contenção de uma iminente fuga que aconteceria na Cadeia Pública de Nova Esperança. Na galeria 02 estavam 50 detentos que ganhariam por pouco as ruas da cidade.
 Inúmeros objetos cortantes, perfurantes, aparelhos celulares e drogas foram achados durante a Operação Pente Fino, durante  a ação comandada pelo Setor de Operações Especiais – SOE e Agentes Penitenciários do Depen de Maringá.
Talvez você pergunte: como foram parar estes produtos dentro das celas? Agentes poderiam estar facilitando a entrada destes objetos? Confesso que este tipo de situação nos leva a pensar isso.
Acontece que as imagens do circuito externo flagraram o momento em que os produtos foram lançados de fora da cadeia, no terreno que fica na parte lateral da carceragem, o que facilitou os arremessos até o interior das grades. O solarium, que é descoberto para que a ventilação e luminosidade possam adentrar, arejando o ambiente, é a porta de entrada. 100% do estava nas alas da cadeia vieram externamente via solarium, incluindo as brocas, utilizadas na perfuração da laje.
Na noite de domingo (04) os agentes da Cadeia Pública que estavam de plantão, após ouvirem barulho dos presos verificaram que os detentos estavam fazendo um buraco na viga superior visando uma fuga, cuja tentativa fora frustrada.
Os plantonistas acionaram o apoio da Polícia Militar que rapidamente  efetuou o isolamento do local, sendo, no dia seguinte,  deflagrada a Operação Pente Fino.
A superlotação da cadeia pública é problema que remonta décadas e, talvez no momento, tenha atingido seu ápice. 120 detentos ocupam o espaço projetado para apenas 24. São 05 presos por vaga e isto gera um stress e possibilidades de rebelião.
Superlotada, o setor de carceragem se transforma em um ambiente ainda mais perigoso, já que aumentam as possibilidades de tensões elevando a violência entre os presos, tentativas de fuga, como a desta semana, expondo a riscos tanto a população quanto aos próprios funcionários que trabalham no setor.  
Presos que já foram condenados e que deveriam ser transferidos para à penitenciária, superlotam o presídio local.
A boa notícia é que o vão do solarium, segundo me informaram os homens do SOE, foi modificado para que os objetos lançados esbarrem numa proteção, evitando que adentrem nas galerias. Uma problemática a menos.
O sucateamento do sistema prisional é flagelo que assola todo o país.  Muito embora as prisões provisórias sejam necessárias, elas contribuem para a superlotação das cadeias, e sobra para a Justiça acelerar os processos e julgamentos – o que, hoje, exigiria uma reforma na justiça nas prisões brasileiras.
O sistema carcerário está em crise. Longe de recuperar o indivíduo, as prisões se transformaram em verdadeiras escolas do crime. A ressocialização do preso não ocorre. Muita coisa precisa mudar.
 
A ação não surge do pensamento, mas de uma disposição para assumir responsabilidades”  ― Dietrich Bonhoeffer  (1906-1945)

Fonte: Alex Fernandes França

 
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