Sexta Feira, 24 de Novembro de 2017
"Nem com uma flor..."


25/08/2017

O título desta coluna leva o leitor a automaticamente completar/formular a frase a que esta diz respeito. Em mulher não se bate, “nem com uma flor”. Acontece nesta semana em todo o país, os mutirões de audiências para tratar de um tema doloroso, cujas marcas transcendem ao corpo, ficam na alma: a violência doméstica.

Milhares de mulheres são surradas por seus “companheiros” e muitas destas acabam sendo assassinadas pelo simples receio de denunciar o agressor, via de regra mantenedor financeiro do lar cuja dependência de recursos acabam propiciando o anonimato, ou seja, sofrem caladas.

Este flagelo social não é pertinente apenas às classes menos abastadas. Mulheres dos mais diversos níveis sociais e culturais estão sendo vítimas de seus maridos e mascaram a dor ante a sociedade, que, machista em sua essência, faz vistas grossas à dor alheia.

Um óculos escuro, lenço no rosto ou maquiagem são alguns dos adereços usados pelas vítimas no intuito de esconder de familiares ou pessoas próximas,  as marcas deixadas por golpes de socos e pontapés a que constantemente estão submetidas.

À medida que a Justiça agiliza as audiências por meio dos mutirões, as equipes multidisciplinares passam a atuar fornecendo apoio médico e psicológico. Essa intervenção judicial promove o enfrentamento à problemática, expressando ao agressor que suas atitudes geram consequências e, portanto, por estas terão que responder.

A violência praticada contra a mulher acaba atingindo psicologicamente os filhos que vivem sob constante temor, carregando traumas para suas vidas futuras. Resultados imediatos (não é regra) são alunos com dificuldades de concentração e que no futuro desenvolvem síndrome do pânico e barreiras de socialização além de outros problemas de ordem psíquica.

A Lei Maria da Penha, no Código Civil (Família e Sucessões), no Código de Processo Civil (Lei n. 13.105/2015), no Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei n. 8.069/90), no Estatuto da Pessoa Idosa ( Lei n. 10.741/2003), e, no Estatuto da Juventude (Lei n. 12.852/2013) são ferramentas de enfrentamento a todo e qualquer tipo de violência contra estas classes consideradas mais susceptíveis e vulneráveis às ações dos que atuam a serviço do mal.

Com efeito, os órgãos públicos tem se articulado no sentido de combater a prática da violência no seio familiar e estas movimentações já estão dando frutos, punindo agressores e estimulando as denúncias. A conjugação de esforços, capacitação permanente de todos, quebra de paradigmas onde a cultura machista historicamente tem imperado além da quebra do medo de denunciar, seja por parte dos agredidos quanto dos que sabem de casos de violência no seio familiar, exercem grande importância na promoção e defesa dos direitos da mulher.  

Ledo engano comete quem pensa que a impunidade tem dado o tom nos casos de violência. Homens “machões” tem se portado como verdadeiros cordeirinhos perante a Justiça e terão que prestar conta de seus atos, não somente a esta, mas sim a toda a sociedade que precisa repudiar com veemência este tipo de conduta. O estigma não deve colar na figura da vítima e sim ao agressor que, insistindo na manutenção da prática, por onde passar seja alvo da repulsa da coletividade para que enfim, uma nova cultura de paz no lar e no âmbito social, seja estabelecida.  Este é o aparelhamento repressivo e ideológico que precisamos incorporar!

 

“Eloquência positiva é aquele que persuade com doçura, não com violência, ou seja, como um rei, não como um tirano.” -  Blaise Pascal (1623-1662)

Fonte: Alex Fernandes França


 
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