Segunda Feira, 24 de Setembro de 2018
Marcas no corpo e na alma


24/11/2017

Mais uma vez este periódico noticia as conseqüências de mais um caso de violência doméstica.  Um homem de 24 anos atingiu, a golpes de faca, sua ex-companheira, que, por pura sorte, não veio a óbito. Agir sob violenta emoção é motivo substancial para justificar o ato e se eximir das conseqüências deste? Como se a violenta emoção pudesse atenuar as responsabilidades das ações empenhadas. Ciúmes, traição, rompimento do relacionamento, enfim, inúmeros “motivos” acionam o gatilho da raiva incontida e fazem fluir o que de pior pode existir em um ser humano que não tem estrutura para lidar com os reveses da vida.

Indignos de viver em sociedade, muitos valentões acabam levando sua vida sob o manto da impunidade, sobretudo por conta das decisões de atenuar ou absolver dos Conselhos de Sentenças que, pasmem, são compostos em sua totalidade por membros leigos, da própria sociedade.

Neste último caso em questão, o agressor, após desferir golpes de faca contra sua ex-companheira, atentou contra sua própria vida. Durante seu julgamento, ele mostrou para o Conselho de Sentença, as marcas deixadas em seu corpo. Nítida tentativa de sensibilizar os 07 jurados, como se assim dissesse: estão vendo? “Fiz com ela, mas o mesmo fiz comigo”. A tentativa de se suicidar amenizou os traumas da real vítima? Carregará esta mulher pelo resto da vida a dor causada em sua alma?

A vida é um bem precioso e cabe aos poderes constituídos e à própria sociedade, zelar por ela. Deus dá, cabe somente a Ele, tirar!

Milhares de mulheres sofrem violência doméstica nas mãos de seus algozes, quando caberia a estes, o nobre dever de cuidar e proteger. Por dependência financeira/material muitas se sujeitam a este tipo de condição.

Segundo dados da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM), a Central de Atendimento à Mulher registrou, em 2016, 1.133.345 atendimentos. O número foi 51% superior ao de 2015 (749.024).  Estas  estatísticas sobre as agressões no País são periodicamente atualizadas pela Secretaria.

Infelizmente a opressão é sistêmica em nossa sociedade. Muitos homens, machões em casa e uma franga na rua, descontam no seio familiar, seus fracassos e insatisfações. Por vezes corremos o erro de pensar que muitos desses casos estão longe do nosso lugar de convívio. Ledo engano.

Recebi, com imensa tristeza, informações de alguns casos onde mulheres vivem sob constante violência. Elas tem rostos, nomes e sobrenomes. Muitas fingem, perante a sociedade, viverem felizes. Quando entram no escuro de seus quartos, choram e sofrem caladas, por puro medo de denunciar.

Além das agressões físicas, as psicológicas são conseqüências das primeiras. As primeiras deixam marcas no corpo. As psicológicas, no fundo da alma.

Ao se conformar com a violência, a sociedade relativiza o valor da vida. Ao refutá-la, dá o recado aos futuros e eventuais casos: “a impunidade não prosperará”!



“Eloqüência positiva é aquele que persuade com doçura, não com violência, ou seja, como um rei, não como um tirano” – Blaise Pascal (1623-1662).

Fonte: Alex Fernandes França


 
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