Segunda Feira, 24 de Setembro de 2018
O homem cordial, a política e a Lei de Gérson!


03/08/2018


Assim como com a Seleção Brasileira de Futebol, nossa paixão nacional   , o brasileiro anda bem desanimado com a política, o que se justifica ante os seguidos escândalos de corrupção e lavagem de dinheiro como podem ser vistos nos noticiários nacionais e internacionais.

 

Há um clamor por mudanças e estas são bem abrangentes e envolvem não apenas nomes de políticos, mas acima de tudo, mudança de comportamento, uma vez que a corrupção se tornou algo sistêmico nos meandros da política.

 

O historiador brasileiro Sérgio Buarque de Holanda ( 1902-1982 ), pai do Chico que leva o mesmo sobrenome, em sua mais famosa obra intitulada Raízes do Brasil, explora o conceito do “homem cordial” e desenvolve com maestria sua ideia, sendo a obra alvo de estudos sociológicos, pois este conceito de homem cordial está longe de ser uma virtude.

 

Remete às raízes patriarcais do período colonial brasileiro e dita as influências e padrões do convívio humano.  O que era uma forma natural e viva, a olhos rasos até benéfica, infelizmente se transformou em fórmula.  

 

O termo cordial empregado por Holanda remete etimologicamente ao pensamento ‘d’aquele que age pelo coração”. Nesta  atitude polida, de agir “cordialmente” implícita está a fórmula de querer agradar a tudo e todos para da política, nosso tema, para se valer de suas inúmeras benesses.

 

Com o uso da máscara, o ser cordial consegue adquirir e perpetuar uma supremacia ante o interesse social. O particular sobrepujando aquilo que seria a razão deste ocupar, por exemplo, uma função pública. Creio que daí surgiu o tal “jeitinho brasileiro”,  décadas mais tarde sacramentado pela “Lei” de Gérson, que ficou nacionalmente  conhecida pelo ex-jogador da seleção brasileira, campeão da Copa de 70,  que fazia publicidade para a marca de cigarros “Vila Rica” onde ele dizia: “quem fuma Vila Rica leva vantagem em tudo”. 

 

E o querer levar vantagem em tudo infelizmente virou marca nacional. Nem sei se tal cigarro ainda existe. Mas seu slogan corroborou ainda mais para fortalecer aquilo que já era intrínseco no brasileiro e debatido em Raízes do Brasil, que é o retrato da nossa gente!

 

Impera a grande dificuldade dos indivíduos diferenciarem as instâncias públicas e privadas, sobretudo Estado, família e sociedade, ou seja, o íntimo, familiar e privado, na percepção deste ‘homem cordial’ se misturam. As dificuldades em se fazer gestão pública no país é pontuada nesta análise sociológica da obra Raízes do Brasil. Beira o dogmático achar que ao ingressar ao Poder Público a premissa é dele se aproveitar. Os juízos éticos e morais não se encaixam a este padrão de cordialidade. Eleições se avizinham. Seu candidato é muito cordial?



“Em política, a comunhão de ódios é quase sempre a base das amizades” -  Charles Tocqueville (1805 - 1859)

 


  •  Alex Fernandes França é Administrador de Empresas, Teólogo, Acadêmico de História, Pós graduando em Docência do Ensino Superior, membro da Associação dos Cronistas do Estado do Paraná além de redator do Jornal Noroeste.



Fonte: Alex Fernandes França

 
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