Segunda Feira, 12 de Novembro de 2018
::: O Lado Folclórico da Eleição Municipal


01/10/2012
No último sábado, dia 22 de setembro, uma cena me chamou atenção. Estava eu em uma das lojas do comércio de Nova Esperança quando observei que, um garotinho que não deveria ter mais de 10 anos de idade, estampava em seu peito, botons adesivos dos quatro candidatos a prefeito do município: Júnior Moser, Gerson Zanusso, Moacir Olivatti e Rafael Kreling. Alheio à disputa que acontece acirradamente na cidade, o garotinho brincava e exibia com orgulho os nomes dos quatro. Vez em quando ele trocava os adesivos de posição, mas nunca deixava algum de fora. Estavam todos ali, estampados em seu peito, como que um timbre que identifica um super-herói das histórias em quadrinho: O Homem Aranha, o Superman, o Lanterna Verde ou o Thor. Não necessariamente que cada um identifique um ou outro candidato. Talvez no seu imaginário de criança, ele se tornava mais poderoso ao usar os adereços multicores.
Quero usar aqui uma passagem bíblica: “Jesus, porém disse: Deixai os meninos, e não os estorveis de vir a mim, porque dos tais é o reino de Deus” (Mt. 19:14). A inocência da criança, alheia às brigas e disputas entre os grupos da política sem dúvida chama a atenção.
Disse Jesus : "Se alguém quiser ser o maior no Reino do Céu terá que aprender a ser como esta criança." Mateus 18-1-4
Será que também na esfera da política, não necessitemos nos tornar como crianças? Isso não inclui somente pureza e inocência. Talvez a falta da maldade ou da utilização do expediente de maquinar o mal se aplique no nosso contexto político local.
A simplicidade e inocência da criança são atitudes inimagináveis entre os adultos. Maquinar o mal para conquistar o poder a qualquer preço faz dos homens cada vez mais se assemelharem às serpentes. Não pela prudência, mas pela astúcia em dar o bote. O lugar preferido é onde menos se espera. Normalmente na região do calcanhar, alcance dos botes traiçoeiros e venenosos. Os ataques nas vias políticas continuam acontecendo. Fomos invadidos com uma onda de panfletagens de candidatos se digladiando. Não restam dúvidas que os comentários acerca desses materiais tomam conta do anedotário político local. Algo negativo, que infelizmente impregnou-se na cultura política dos que conduzem as campanhas.
O lado bom e folclórico de cada pleito eleitoral é o surgimento de bordões que ficam para a história. Eu me recordo nas Eleições de 1988, muito embora eu tivesse apenas 14 anos de idade, em que disputaram Silvio Chaves com Haroldo Bezerra como vice x José Ercílio Kreling/ Aylton de Deus Mateus, como vice prefeito. Silvio tinha como slogan “Di barde” ou “de balde”. Na época os votos eram em cédulas de papel e as demoradas escrutinações (contagem dos votos) feitas no Ginásio de Esportes “O Capelão”. A expressão dava a entender que o candidato vencedor levaria os votos em grande quantidade com relação ao seu adversário. Naquela eleição venceu José Ercílio Kreling, e provocou a outra ala política com a expressão “foi di Balaio”, num significado quantitativo maior do que os votos que caberiam em um balde. Ercílio Kreling, que já havia governado a cidade 1973 a 1977, seria prefeito novamente então para o mandato de 1989 a 1992. Seus correligionários compraram enormes balaios e saíram às ruas gritando “É di balaio...é di balaio...”, numa clara provocação ao “di barde” de Silvio e equipe.
No pleito seguinte, como não havia o advento da reeleição, Ercílio apoiaria como candidato Aylton de Deus Mateus, que tinha como vice-prefeito o deputado Basílio Zanusso. O adversário novamente era Silvio Chaves que se elegeria prefeito para o mandato 1993/1996 sob o slogan “O trabalho é a chave do progresso”, num trocadilho com seu sobrenome. Seu vice foi o advogado dr. José Gerônimo Benatti.
Fanáticos como torcedores de times de futebol, seus correligionários na ocasião deram o troco ao “di balaio” de quatro anos antes e fizeram o caminhão simbólico da “mudança” de Kreling da cidade, contendo guarda-roupas, panelas, sofás velhos etc e desfilaram pela avenida 14 de dezembro, provocando, sadiamente seus adversários. Na eleição seguinte, Silvio Chaves apoiara Dr. José Benatti/Oswaldo Pádua, que se elegera prefeito para a gestão 1997/2000. Neste ano ocorreu o advento da reeleição e ocorreu o racha entre Silvio Chaves e Benatti. Silvio saíra candidato tendo como vice Nivaldo Picoli, Benatti reeditaria a chapa com Oswaldo Pádua de vice, ainda teve Tuco Servo e Nilton Servo e Odair Teodoro/Gilberto de Marchi como candidatos a prefeito e vice respectivamente e Gerson Zanusso e Rigonato. Muitos atribuem o racha entre Silvio e Benatti, que sempre pertenceram ao mesmo grupo político, à vitória de Gerson e Rigonato.
Zanusso governou Nova Esperança de 2001 a 2004. Na eleição seguinte, surge Maly Benatti, que já havia sido Secretária da Educação no mandato de Silvio Chaves e enfrentou naquele pleito Moacir Olivatti/Pedro Radade e Edenilce de Fátima/Miguel Santini. Maly, que tinha como vice-prefeito Demerval Cárdia, entraria para a história como a 1ª mulher eleita prefeita de Nova Esperança. Já nas eleições seguintes, na condição de candidata à reeleição enfrentou Roberto Pasquini (ex vereador) e Gerson Zanusso de vice e Nilton Servo/Professor Ariston. Reeleger-se-ia e configurar-se-ia também como a 1ª pessoa reeleita na história das eleições municipais em Nova Esperança. Esta história não acabou, apenas os capítulos estão avançando. Cabe a você eleitor escrever mais uma página desta narrativa. Quem você vai escolher para governar a nossa cidade?

“Chamamos de Ética o conjunto de coisas que as pessoas fazem quando todos estão olhando. O conjunto de coisas que as pessoas fazem quando ninguém está olhando chamamos de Caráter” - Oscar Wilde (1854-1900)
Alex Fernandes França é Diretor do Jornal Noroeste, Formado em Administração de empresas, bacharelando em Teologia pelo Instituto Teológico do Paraná e membro da Associação dos Cronistas do Estado do Paraná.

Fonte: Alex Fernandes França - alexnoroeste@hotmail.com

 
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