Segunda Feira, 12 de Novembro de 2018
::: RESISTINDO AO DIA MAL


07/12/2012
Um programa dominical de televisão passou a exibir recentemente um quadro sob o título “O que vi da vida”. Título bastante sugestivo que nos leva a refletir e promover a partir de nós um amplo debate. Somos constantemente bombardeados por situações que invariavelmente fogem do nosso controle. Um dos fatos mais marcantes , pena que em contexto triste em minha vida foi a morte prematura da minha mãe. Por sofrer de sérios problemas de alcoolismo tornou-se mais uma vítima do vício. Era o mês de março de 1998,e tanto eu quanto aos meus irmãos não conseguimos enxergar naquele momento outra alternativa que não fosse optarmos pelo mediato internamento de nossa querida mãezinha numa Clínica de recuperação. Ao mesmo tempo em que ela implorava para que lá nós não a deixássemos, a razão e a perspectiva otimista em querer vê-la curada foram elementos que corroboraram e muito para que optássemos então pelo tratamento que ora se iniciava.Seria muito triste e porque não dizer até mesmo revoltante que seu quadro de saúde se agravasse sem que nada fizéssemos para recuperá-la. Ainda pequenos, perambulávamos pela cidade à procura de nossa mãe, pois dominada pelo vício ficava à mercê de todos os tipos de infortúnios causados pela dependência de qualquer tipo de droga que fosse.
Uma grande lição sempre nos ensinava, muito embora ela mesma não possuísse forças para buscá-la: lutar pelos nossos objetivos sempre, a qualquer custo. Respeitar a honra e a dignidade das pessoas também foi uma marca por ela deixada.
Voltando ao assunto de seu tratamento, decorridos 10 dias em que se encontrava internada numa clínica de Maringá tivemos a notícia que ninguém gostaria receber: “A dona Lúcia sofrera um AVC e seu quadro ao que tudo indica é irreversível” - disse a enfermeira tateando as palavras corretas no intuído que o choque típico da notícia fosse por nós `melhor` absorvido. Tentativa totalmente vã, já que um quadro de temor e desespero tomou conta do nosso viver. Em seguida, nossa querida genitora fora levada para a Unidade de Terapia Intensiva de um Hospital na região de Maringá. Seu quadro clínico se agravava a cada instante... o caos se instalava e o `dia mal. A Bíblia Sagrada nos fala deste dia... Dia mal não escolhe dia, nem local e nem pessoa. Pode ocorrer no local do trabalho, em casa, na rua. Em situações das mais diversas, tais como a morte de alguém que amamos; quando o médico dá o diagnóstico positivo sobre a presença de uma doença; quando tiramos o extrato bancário e a conta continua no vermelho; quando o cônjuge diz que acabou e não dá mais; etc.
Há pessoas que estão vivendo dias mal, não apenas alguns dias mas semanas, meses e até anos. Vivemos uma época muito difícil, onde os problemas vão se acumulando e cada um vai vivendo seu individualismo, e assim, de tragédia em tragédia, de enxurrada de problemas e de notícias ruins diárias, somos oprimidos e deprimidos todos os dias.

Para alguns a vida tornou-se quase que insustentável. A depressão tornou-se a doença mais comum em todas as camadas sociais.
Estávamos então vivenciando este dia mal, mas que teria seu desfecho, humanamente falando ainda pior. Com minha mãe na UTI fazíamos plantão na frente do Hospital na expectativa que os boletins emitidos pelos médicos nos apresentassem uma mudança no seu quadro de saúde, que proporcionasse um novo alento para nossa humilde, porém sempre unida família. Chegou o momento em que os médicos passaram a liberar os familiares para a visitarem... Eu, infelizmente sentia uma atmosfera de despedida no ar..
Quando adentrei aquele local percebi que por mais que eu me esforça-se em extrair dela alguma reação vital, tudo era em vão...
Me restou o choro inconsolável de quem sempre enxugou minhas lágrimas. Naquele instante, elas escorriam livremente, como a chuva que cai no momento em que estou escrevendo este editorial.
Vendo-a inerte, respirando artificialmente, restou-me pegar em sua mão, balbuciar algumas palavras, até mesmo confidências e declarações de que eu a amava. Disse a ele: “Mãezinha...vamos fazer um belo acordo... eu seguro na sua mão esquerda e pela fé, creia que Jesus já está segurando a sua mão direita...Você agora está aqui na terra... Mas logo, este mesmo Mestre que segurou a sua mão a receberá de braços, pois você, pouco antes o reconheceu como Senhor e Salvador de sua vida. Se você concorda, não sei como, aperte levemente a minha mão...” Por um instante eu senti sua frágil mãozinha apertando a minha. Não havia tempo para mais nada. As enfermeiras já me chamavam para dar lugar ao próximo visitante. Ledo engano de que alguém, em vida, a visitaria mais... Em poucos instantes já recebia a notícia de que ela já havia partido, para um lugar onde não haverá dor nem sofrimento...Choro nem angústia...Mágoa nem rancor...Nem mais um dia mal... somente amor, nos braços do Pai....
Alex Fernandes França é Diretor do Jornal Noroeste, Formado em Administração de Empresas, bacharelando em Teologia pelo Instituto Teológico do Paraná e membro da Associação dos Cronistas do Estado do Paraná.

“Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia”.
Salmos 46:1

Fonte: Alex Fernandes França - alexnoroeste@hotmail.com

 
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