Segunda Feira, 12 de Novembro de 2018
::: Editorial: Filhos que quebram regras. Até quando vamos culpar o “tigre”?


15/08/2014
Nas últimas semanas acompanhamos perplexos e sensibilizados o caso do garotinho que teve o braço arrancado por um tigre no zoológico de Cascavel. O fato foi algo chocante e extremamente estarrecedor dado as circunstâncias em que ocorrera. O que chama a atenção foi a quebra de várias regras, onde havia cercas e grades que delimitavam a entrada do público até a jaula do animal. As imagens mostraram que antes da grade principal, havia uma espécie de fosso e outra sub-grade. O garoto passou pela primeira grade e avançou até a grade principal, fazendo peripécias, atiçando o animal de tal forma que este, selvagem que é, teve a nítida sensação, dado ao seu instinto, tratar-se de uma caça. No último domingo (10) pela manhã, ouvi do Pr. Apolinário Roberto “Beto” Almeida uma explicação bastante didática utilizando o ocorrido no zoo de Cascavel para ilustrar a situação caótica em que grande parte da nossa sociedade vive. Limites e regras quase nunca são observados. Pais que se furtam em corrigir seus filhos os integrando diariamente aos tigres desta vida. Filhos que são ensinados a transgredir leis e regras, já que o interessante é estar perto do perigo e se possível desafiá-lo. Gente que aprendeu desde pequena a não trabalhar com um plano “b”. Se eventualmente aquele animal escapasse, ainda teria que transpor a segunda grade para daí sim ter acesso ao público. Manter uma segunda barreira de segurança seria este plano o que daria uma margem maior de escape.
Convivemos em uma sociedade que, por conta dos jovens (nem todos é claro) não respeitarem o direito de ir e vir dos demais acham que podem tudo e que qualquer método vale, pois o interessante e excitante é chegar mais perto o possível do “tigre”, e isto sim é viver, sem analisar ou ponderar sobre as eventuais conseqüências vindouras de um ato insano e impensado. Incluo neste contexto aqueles que sabem mais do que seus pais. Acham que tem domínio sobre a droga ou o álcool, afinal de contas, podem parar assim que quiserem. Ledo engano. Uma vez rompendo os limites impostos e deixando de lado a margem de segurança, o “tigre” deste mundo, instrumentalizando o vício, vai gerando sutilmente a dependência química, sem se dar contas que o caminho muitas vezes é sem volta.
Do outro lado desta história estão os pais que se furtam do papel de educar e se tornarem um referencial forte e firme para suas proles. São aqueles que se gabam de terem “passado os outros para trás”, transmitindo a idéia explícita na chamada lei de Gerson, onde o que vale é levar vantagem em tudo e sobre todos. Quando o filho chega em casa com algum objeto subtraído de um amiguinho da escola, acham graça e quando não agem violentamente como se o seu exemplo fosse algo que o credenciasse a corrigir. Quantas grades nesta vida são transpostas inconseqüentemente. Diante do trauma que o garoto carregará para o resto da vida, qual imagem ficará de seu pai que não estabeleceu limites na vida do pequeno garoto de 11 anos? Após ser avisado por testemunhas, o pai, que estava com o outro filho, apenas disse “O menino gosta de bicho”. A você pai e mãe que lêem este editorial me dirijo. Você tem ensinado seus filhos a obedecerem as regras e não transporem os limites impostos ou simplesmente arrumam desculpas e os deixam “gostar” do bicho. E depois tem gente querendo matar o tigre. É mais fácil jogar a culpa na escola, nos educadores e na sociedade do que ensinar o garoto no caminho em que deve andar e a maneira da qual necessita se portar, para o bom convívio social, tornando-o um cidadão de bem, que respeite as regras e não transponha os limites!

Fonte: Alex Fernandes França

 
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