Quarta Feira, 24 de Outubro de 2018
::: Martin Luther King: E o sonho continua...


05/09/2014
O Brasil acompanhou de forma estarrecedora mais um lamentável episódio de racismo, desta vez tendo como alvo o goleiro Aranha, do Santos Futebol Clube. Durante o jogo em que o Santos vencia o Grêmio em Porto Alegre, na quinta-feira, 28 de agosto, alguns torcedores do time gaúcho elegeram o goleiro para disparar palavras de ordem racistas. Gritos de macaco ecoaram pelo estádio Com a ira santa dos justos, Mário Lúcio Duarte Costa, de 33 anos, o Aranha, gesticulou e gritou furioso contra a turba infame, e deixou bem claro o orgulho da pele colorida, a mesma de seus ancestrais africanos. Uma das torcedoras, talvez a que mais apareceu nas lentes de uma emissora de televisão, já foi identificada. Trata-se de Patrícia Moreira, de 23 anos, que perdeu o emprego como auxiliar de saúde bucal no Centro Médico Odontológico da Brigada Militar. Ela responderá processo criminal por crime de injúria racial, cuja pena prevista é de um a três anos de reclusão com multa.
Ganha repercussão o fato de que o goleiro santista, durante as investidas vorazes dos seus algozes não se calou. Chamou a atenção dos profissionais da imprensa a indignação de Aranha, sinalizando para que as câmeras se voltassem para as arquibancadas do estádio, em que os torcedores gesticulavam, imitando macacos e proferindo palavras de conteúdos impublicáveis. Uma vergonha que ainda exista esse tipo de gente preconceituosa. O torcedor que vai ao estádio, torcer pelo seu time, não pode usar como justificativa que seus atos foram em tom de “brincadeira” ou no “calor das emoções”. Respeito é uma palavra que deve nortear a nossa maneira de viver e pensar. As diversas culturas que vieram para o Brasil deram uma importante e significativa parcela na construção do que somos hoje. Ainda temos muito a melhorar. A cor da pele não é parâmetro para se estabelecer respeito ou não. Todos, independentemente de etnia, religião, ou nível intelectual formam a sociedade brasileira é isso que importa. Confesso que fiquei muito triste ao ver tais cenas. O volante Arouca do mesmo Santos foi outro que recentemente teve seu nome envolvido em situação semelhante. O país é uma espécie de exército que atira em seus próprios soldados. Se existe algum parâmetro para se avaliar alguém, com certeza a cor da pele não está em questão; Caráter, dignidade, honestidade, hombridade são qualidades que realmente importam.
O ativista norte americano Martin Luther King (1929-1968) , dono de uma retórica e bravura intocáveis, certa feita falou, durante os movimentos pelos direitos civis no ano de 1963: “Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença - nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais. Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter. Eu tenho um sonho que um dia todo vale será exaltado, e todas as colinas e montanhas virão abaixo, os lugares ásperos serão aplainados e os lugares tortuosos serão endireitados e a glória do Senhor será revelada e toda a carne estará junta.”. Já se passaram mais de 50 anos e o sonho de Martin Luther King continua vivo. Nosso sonho infelizmente ainda é sonho. O racismo é uma praga que parte do povo insiste em perpetuar. Quem assim age, acaba crendo em ser uma raça superior. O tão contestado tirano nazista Adolf Hitler (1889-1945) também tinha essa filosofia ao crer que os chamados arianos eram superiores aos demais, inferiorizando principalmente os judeus, onde mais de seis milhões foram mortos durante o holocausto, entre os anos de 1939 a 1945 por ocasião da 2ª Grande Guerra Mundial. Como se observa, a sociedade caminha rumo ao abismo. A intolerância em suas mais diversas esferas continua e a humanidade regride cada vez mais. Como se vê, Luther King, seu sonho continua e o nosso também. “Ergamo-nos com uma determinação ainda maior. E que ataquemos de frente estes dias poderosos, estes dias marcados pelo desafio de transformar a América no que ela deve ser. Temos a oportunidade de fazer da América uma nação melhor”.

Fonte: Alex Fernandes França

 
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